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Penso, logo duvido.

Farsa das previsões – Sérgio C. Buarque

Sérgio C. Buarque >   Toda virada do ano, a imprensa se enche de previsões sobre o ano que se inicia, videntes de todas as seitas e credos antecipando o que deve acontecer na política, na economia, na natureza e até na vida privada das celebridades. Sopro de guias espirituais, leitura dos astros, interpretação das cartas ou das pedras do tarô, as fontes são muitas e as previsões cheias de imprecisões e vagas mensagens para eludir as críticas e enganar os fiéis, do tipo “algumas pessoas vão se sobressair neste ano”, “o ano vai ser muito quente”, ou “alguns ministros de Dilma vão cair”. Existe um ditado árabe que diz: “Aquele que prevê o futuro, mente mesmo quando diz a verdade”; afirmar o que vai acontecer no futuro é uma mentira pelo simples fato de antecipar o que é...

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Crítica: O Som ao redor

Teresa Sales > O filme, o primeiro longa metragem de Kleber Mendonça, tão precocemente premiado mundo afora, já conta com uma “fortuna crítica” (como o pessoal de literatura tão graciosamente se refere à bibliografia sobre determinada obra literária). Boa parte dessa crítica, para a felicidade de quem pode desfrutar do mundo virtual (ou seja, todos que irão assistir a esse tipo de filme), está na internet. Mesmo assim, ouso escrever sobre o filme, pelo impacto que ele provocou em mim pessoalmente; em mim como observadora e estudiosa dos fenômenos sociais. Antes de tudo, como pernambucana, fiquei orgulhosa pelo merecido sucesso do filme. Meus amigos paulistanos me telefonaram para me cumprimentar, o que me deixou feliz de duas maneiras: pela conterraneidade com o cineasta e pelo reconhecimento de minha pernambucanidade, que trinta anos de São Paulo só reforçaram. Vou ao...

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Palavras de Vida Fácil

Fernando da Mota Lima > A semântica  estuda o sentido das palavras, notadamente as modificações que sofrem ao longo do tempo. Adiantaria ainda, para os propósitos deste ensaio, que também estuda as relações  entre a linguagem, o pensamento e o comportamento, além das formas como este é influenciado pelas palavras. Há quem considere problemas dessa natureza dentro de uma perspectiva estreitamente gramatical. Reduzindo a linguagem a uma codificação abstrata, dissociam-na da realidade viva da língua perdendo  assim de vista e de consciência o fato de que a língua existe para representar a realidade. É por isso que as pessoas podem chegar ao extremo de matar ou morrer por causa das palavras. No tempo das guerras religiosas, que banharam de sangue o solo de muitos países europeus, ser identificado como calvinista por um católico intolerante ou paranoico, e vice-versa, poderia...

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Noites Recifenses II – Viva o Chorinho!

Teresa Sales >   “Você ouviu teu menino, Nuca?” Nuca Sarmento sorri com uma felicidade que se espelha por todo rosto. Nada diz, deixando-se apenas abraçar fortemente pelo amigo. A mesa onde estão todos da família, em solidariedade aos fumantes do grupo, é na calçada do Bar Retalhos, onde acontece a confraternização de final de ano dos garçons, donos, freqüentadores mais assíduos e, naturalmente, os músicos dos finais de semana. A mesa deles já se juntou à de Sílvio Batusanschi, para onde eu me dirijo logo que chego, depois de ter perdido a feijoada, porém a tempo para o melhor da música: o dueto totalmente de improviso (qual Jam Session das melhores que já vi em Greenwich Village, New York) entre nada menos que Beto do Bandolim e Vinícius Sarmento ao violão. Mal ouço os primeiros acordes, abandono a mesa...

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Revista Será? – Entrevista Fernando Lyra

Fernando Lyra e os bastidores da redemocratização brasileira por CRISTOVAM BUARQUE. Nascido em Caruaru (Pernambuco) em 1938, o advogado Fernando Soares Lyra iniciou sua carreira política em 1967, quando disputou e foi eleito deputado estadual para um mandato até 1971, ano em que fundou o Grupo Autêntico do então Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Esteve na Câmara quase que ininterruptamente entre 1971 e 1999: Na Câmara dos Deputados ocupou a Primeira Secretaria, a Corregedoria e a Procuradoria Geral. Participou intensamente da abertura política coordenando, no Congresso Nacional, a candidatura de Tancredo Neves à Presidência da República, entre os anos de 1983/84. Foi ministro da Justiça do Governo Sarney por 11 meses (1985/86) e derrubou a censura. Na Assembléia Constituinte (1987/1988), foi membro da Comissão de Sistematização. Em 1989 foi candidato a Vice-Presidente da República na chapa de Leonel Brizola. Manteve-se...

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Descriminalização X Guerra às Drogas

Quando Fernando Grostein Andrade foi à Rocinha gravar um videoclipe de uma banda de pagode e viu jovens no tráfico segurando uma AK-47, ficou se perguntando: por que os fuzis aqui, quando na Holanda as pessoas compram maconha legalmente num coffee shop? Foi daí que nasceu a idéia de “Quebrando o Tabu”, documentário lançado no circuito comercial esse ano e que assume claramente posição a favor da descriminalização da maconha. Meses depois, publica-se uma matéria de destaque de capa sobre o mesmo tema na revista Veja (31/10/12), porém com o sinal invertido. O assunto é controverso e, tal como outros ainda mais controversos (o aborto, por exemplo), tem desviado a discussão de seu foco principal, para cair em moralismos que mais encobrem do que esclarecem o assunto. O que está em jogo é o fracasso da guerra contra as...

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A ilusão consumista

Conselho Editorial O propósito último de uma economia é o consumo de bens e serviços da população. Neste sentido, os incentivos governamentais e a expansão acelerada do consumo dos brasileiros de todos os níveis de renda, seria um grande avanço na economia. Será? Não, representa, no máximo, um mecanismo de contenção da recessão econômica com alegria transitória e enganosa da população. A ampliação do consumo tem que ser acompanhada de alto investimento para aumentar a capacidade de produção; e investimento requer poupança, ou seja, não consumo. Ao longo de três décadas, a taxa de investimento no Brasil, flutuou em torno de 18% do PIB-Produto Interno Bruto; simplificando seria o mesmo que dizer que 82% do que é produzido foram consumidos, pelas famílias ou pelo governo; na China que tanto invejamos, o investimento alcança 40% do PIB. Com crédito fácil...

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Tragédia econômica e social da seca. De novo?

Governos e sociedade já sabem o que fazer para promover o desenvolvimento do Semiárido do Nordeste: ação articulada de gestão dos recursos hídricos com ampliação da irrigação, desenvolvimento de tecnologias avançadas, e melhoria da educação e da qualificação profissional. E, no entanto, a cada novo ciclo de grave estiagem, como a atual, o sertanejo volta a depender das emergências e da assistência social. Projetos não faltam. Falta uma ação estratégica e coordenada no território. A Transposição do São Francisco é um dos projetos, importante pelo aumento significativo da oferta de água, permitindo uma distribuição e gestão nos açudes e reservatórios. Entretanto, vendido como a solução definitiva para o flagelo das secas, este projeto está parado, evidenciando o descaso e a incompetência dos governos diante dos desafios desta região na qual vivem cerca de 22 milhões de habitantes que não...

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