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Penso, logo duvido.

Quanta leviandade!

Conselho Editorial A tragédia de Santa Maria provocou uma comoção nacional, uma dor profunda causada pela morte de 243 jovens universitários plenos de alegria e projetos e em condições tão absurdas e levianas. Como diz um personagem de Carlos Fuentes, “não é o passado que morre com cada um (destes jovens), morre o futuro”, morreu o que viria a ser destes jovens estudantes que se preparavam para formar a inteligência nacional. Para os familiares e os amigos, fica a saudade do passado mas também este sentimento de interrupção – brusca e insensata interrupção – do futuro; para cada brasileiro, soma-se a esta angústia a certeza da perda irreparável de quadros profissionais, intelectuais e políticos. O desalento de todos diante da tragédia aumenta pela certeza de que tudo não passou de uma sucessão de falhas e leviandades humanas. A dor...

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Claude Lefort e a Democracia: Uma visão contra o senso comum

Luciano Oliveira Nascido em 1924 e falecido em 2010, Claude Lefort teve uma significativa audiência no Brasil na década de 80 do século que passou – sobretudo na sua primeira metade. Seu livro mais conhecido, A Invenção Democrática, foi aqui traduzido e muito lido nesses anos. Vivia-se o processo de “abertura” política do general Figueiredo e os temas da democracia e dos direitos humanos, nele tratados, favoreceram a acolhida que teve. Eu, que cursara a universidade nos “anos de chumbo” da ditadura militar e tivera alguns colegas presos e torturados, acalentava um tanto vagamente a idéia de escrever uma tese sobre a questão dos direitos humanos no Brasil. Ter vivido sob um regime que fazia da violação de tais direitos um de seus pilares, tinha-nos ensinado, a mim e à minha geração, a valorizar, na prática, o que significava...

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Uma pouca vergonha

As designações são soberbas: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Mundial da Graça de Deus, Igreja Mundial do Poder de Deus. Os títulos dos respectivos líderes são também de chamar a atenção: Bispo Edir Macedo, Missionário R. R. Soares, Apóstolo Valdemiro Santiago. Todos têm forte presença na televisão. Além dos programas diurnos, passam a madrugada inteira pescando pobres desesperados em busca de prosperidade e curas milagrosas – desde que, evidentemente, o interessado torne-se um “dizimista”. Há estudos antropológicos mostrando que, efetivamente, algumas pessoas conseguem algum tipo de prosperidade ao aderir aos seus ministérios. É a figura conhecida da profecia autocumprida: se alguém, mediante conversão em troca da melhoria de vida, em vez de beber e entregar-se à vadiagem adota hábitos virtuosos e sai em busca de trabalho, tem boas chances de melhorar sua sorte. Já as promessas de...

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Antigos e Novos Desafios do Poder Municipal – José Arlindo Soares

José Arlindo Soares Esse artigo analisa as tendências que se delinearam nos últimos trinta anos e ainda servem para marcar o discurso de muitos dos novos prefeitos eleitos.. Um dos pressupostos que orientam essa análise é que os mandatos municipais podem ser divididos em ciclos, onde se destaca a agenda mais importante de cada ciclo, tomando como referência inicial a retomada do processo de eleições diretas para as capitais em 1986. Em 2009, eu havia observado que as administrações municipais chegavam a uma fase de maturidade, porém enfrentando graves sinais de esgotamento do modelo definido pela Constituição de 1988, que já se mostrava com todas as suas vicissitudes, ou seja, revelando o seu verdadeiro alcance e suas grandes limitações. Na metade da década de 1990, quando se iniciava a terceira safra de Prefeitos eleitos nas grandes cidades brasileiras, participei...

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Ambivalência diplomática

O presidente eleito da Venezuela, Hugo Chavez, gravemente enfermo e ausente do país, mesmo sem assumir o cargo, assina um documento oficial nomeando o vice-presidente e o Ministro das Relações Exteriores. É muito estranho, mas foi autorizado pela Suprema Corte do Estado venezuelano dando aparência de legalidade. Estranho, como foi a velocidade do impeachment do presidente Fernando Lugo do Paraguai no ano passado, legalmente aprovado pela esmagadora maioria do Parlamento, e a cassação do Presidente da Honduras Manuel Zelaya há três anos, também oficializado pelo Congresso hondurenho. Parecem formas diferentes em condições diversas, mas todas expressando manipulação política dentro dos vazios e imprecisões das regras democráticas. Melhor do que os antigos golpes militares escancarados, claro; mas, com essa mistura de velho populismo com manobras modernas de legitimação política e jurídica, muito longe de exemplar processo democrático. O mais estranho de...

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