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Penso, logo duvido.

A Taça do Mundo é Nossa! Com brasileiro não há quem possa.

David Hulak > http://www.youtube.com/watch?v=hJAriHOh1Jg Menos, caras. Sou pela Copa no Brasil. Acho que todos são. Manifestantes, tuiteiros, facebuqueiros. Os protestos contra a corrupção, a lerdeza do governo, a má conduta do estado, a inoperância tiveram o meu apoio, via minha rede de emeileiros. Dilma chutou em gol, depois de consultar a sua Comissão Técnica e sair do mutismo impróprio para chefes de estado. Não vi na TV. Foi inesperado e estava cuidando de outras coisas, Mas vi em Nelson Mota, via Noblat, o seguinte. “ Discursando para um auditório lotado de políticos, empresários, lobistas e funcionários, a presidente Dilma advertiu que “esta mensagem direta das ruas é de repúdio à corrupção e ao uso indevido do dinheiro público” e foi aplaudida entusiasticamente pelos presentes, como se ninguém ali tivesse nada a ver com isso. Estariam lá os empreiteiros das...

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A Cidade Esgoto

Clemente Rosas > Pode parecer mesquinha a abordagem de tema tão rasteiro, no momento em que a sociedade brasileira se mobiliza por causas tão nobres.  Mas ninguém poderá deixar de reconhecer que lidamos também com questão assimilável às grandes bandeiras reivindicatórias, tendo lugar ao lado da não violência, da moralidade administrativa, da educação e da melhoria dos serviços urbanos: a saúde pública. Na verdade, eu já tinha ideia de escrever sobre isso há algum tempo, e o belo despertar cívico a que assistimos agora contribuiu para converter a intenção em gesto.  Vai o texto, portanto, a título de modesta contribuição à pauta de reivindicações desses jovens que, como numa súbita resposta ao apelo do veteraníssimo Stéphane Hessel  (“indignez vous”), vêm colorindo e alegrando as nossas ruas. Com o perdão de Hannah Arendt para uma paráfrase irreverente ao seu famoso...

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A Festa Não Pode Faltar

Elimar Pinheiro do Nascimento > As manifestações têm duas faces. Aquela que é mostrada insistentemte pelas TVs, com o intuito claro de intimidar as pessoas e de estigmatizar as manifestações. Interesse também dos governantes, em particular do Governo Federal, temeroso das suas repercussões sobre as eleições presidenciais do próximo ano, dadas como ganhas pelo PT. Ou apoiadas pela TV porque já alcançaram um público considerável. Mas há outras, como a que se passa no seio dos manifestantes, que já superaram a ordem de um milhão na quinta feira, 20. Alguns ja contabilizam mais de cinco milhões, todas somadas. Há uma face de uma beleza extraordinária. É preciso estar lá, no meio de milhares de pessoas para ver como elas reagem. Presentes todas as “tribos” sociais. Há famílias inteiras: avós, filhos e netos. Há adolescentes em pequenos grupos, risonhos e...

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O morro desceu pra avenida

A população da Rocinha e do Vidigal, no Rio de Janeiro, desceu o morro na terça feira desta semana, somando-se ás manifestações que tomaram a Avenida Rio Branco e que sacodem o Brasil há duas semanas. Aos protestos contra a corrupção e às bandeiras correntes pela educação, saúde e segurança, os manifestantes das duas grandes favelas do Rio acrescentaram cartazes com uma reinvindicação fundamental: Saneamento básico. Esta é a grande novidade política desta semana. Um dos líderes do movimento reclamava com veemência contra a construção de um teleférico dizendo: “Pra que? Pra turista conhecer o morro? Enquanto minha filha continua pisando nas valas podres de esgoto a céu aberto? Não! Não queremos teleférico, queremos saneamento”. Mas, como se costuma dizer, saneamento não dá voto, a obra é demorada, custa caro e o produto fica embaixo da terra. Quase 33%...

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O Discurso Ausente

Cristovam Buarque > “Jovens do Brasil, brasileiras e brasileiros: Nós erramos. Erramos todos nós que recebemos de vocês mandato para governar bem o Brasil, esquecendo os sonhos de vocês. Nós todos, os políticos e seus partidos erramos. Mas, devo admitir que mais erramos nós que há 10 anos governamos o Brasil e especialmente eu própria errei ainda mais, como a presidenta de vocês. Nós erramos ao sermos 6a economia e 88a nação em educação; ao deixarmos o Brasil ser o mais violento país do mundo, fora de guerra; ao priorizarmos sempre o privado, especialmente transporte, em detrimento do público;  tolerarmos corrupção e não conseguirmos punir aos corruptos; erramos ao consumir o presente sem investir no futuro; ao deixarmos toda  juventude sem sonhos de utopia para seu país e parte dela sem o atendimento do essencial para seu presente; ao...

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Debate Sobre As Manifestações Urbanas de Junho de 2013

A Opinião de Revista Será? desta semana, considerando a gravidade da fato histórico que vem representando as Manifestações Urbanas no Brasil, será um debate entre os Editores gravado em vídeo. Parte 1 Parte 2 Conselho Editorial Tweet Enviar artigo por email Qual o seu nome? Por favor indique abaixo os emails para os quais você quer mandar este artigo: Debate Sobre As Manifestações Urbanas de Junho de 2013 Entre um email por linha. Não mais que 5 emails. Enviar...

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A Revolução dos Centavos

Luciano Oliveira > Assisto no “Bom Dia Brasil” de 19 de junho (quarta última) reportagens anunciando, com ar jubiloso de vitória, o anúncio da diminuição no preço das passagens de ônibus em quatro capitais do país: 15 centavos aqui, 10 centavos ali, 5 centavos acolá. Mais cedo ou mais tarde (acho que mais cedo), também em São Paulo, onde toda a onda de manifestações que varre o país começou, vai-se achar um jeito de revogar o aumento dos 20 centavos que se tornaram emblemáticos dessa nossa inesperada Revolução dos Canjicas – como diria Machado de Assis – em plena época de São João! O tom irônico do parágrafo acima não deve ser lido como a manifestação cínica de um sujeito de classe média bem posto na vida – como eu –, para quem duas dezenas de centavos a mais...

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O preço do desprezo – Elimar Nascimento

Elimar Pinheiro do Nascimento Quem disser que previu as manifestações destes últimos dias, na envergadura que elas assumiram, provavelmente está mentindo ou se auto enganando. Havia indícios claros, como a exaustão do modelo de crescimento econômico (PIB ínfimo); o retorno da inflação (acima de 10% no setor alimentar) e o aumento da inadimplência. Estes fatores se constituiram em ameaças reais à ascensão, e consolidação, da classe média. Mas, todos juntos constituem apenas uma base econômica que não explica o fenômeno social.  Devem estar presentes, mas são insuficientes. Há um segundo conjunto de variáveis a considerar. A conjuntura política tem sido marcada por sinais de desprezo das autoridades públicas e dos políticos aos sentimentos do eleitor. As eleições de Renan para o Senado e Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos foram considerados um acinte por parte da opinião...

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Para além dos Vinte Centavos

José Arlindo Soares > No final da semana passada postei no Facebook uma pequena nota sobre a onda de manifestações que se delineava nas maiores cidades do País, afirmando que essas não poderiam ser explicadas pela simples repulsa ao aumento das passagens dos transportes coletivos ou pela ação de pequenos grupos radicais. Essa postagem resultou em uma indagação do Jornalista Gilberto Prazeres, da Folha de Pernambuco, a respeito de causas para além do 0,20 centavos, que poderiam estar alimentando o sentimento de indignação de uma parcela da juventude das grandes cidades brasileiras. A princípio, argumentei que seria possível buscar várias explicações interligadas. Porem, para efeito didático, eu uso dois vieses que se completam. O primeiro é o acúmulo das tensões urbanas na vida das pessoas. O segundo são expectativas frustradas, apesar de melhorias substantivas no poder de consumo da...

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Protestos Urbanos

Da Turquia à Candelária, os jovens estão cansados da falta de seriedade e competência dos governantes. São movimentos cidadãos e o espaço público urbano vai se tornar em breve um bem escasso de primeira necessidade. O movimento de Istambul tem um valor simbólico, mas na verdade a resistência cidadã expressa na mobilização de jovens pelas redes sociais já tem uma história desde a Tunísia, o Egito, Nova York. A Avenida Paulista, coração simbólico do capitalismo tupiniquim e espaço público por excelência do Brasil urbano, começou a entrar em linha com esses novos ventos da construção de uma nova cidade e cidadania. A bandeira do preço das passagens do transporte públic o foi apenas o início de um MOVIMENTO que se espraiou nas principais cidades brasileiras e com várias bandeiras que expressam a insatisfação difusa da população com a situação...

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Que Crise?

Com a petulância que costuma esconder a incompetência, o ministro Guido Mantega ironiza as advertências sobre as atuais dificuldades econômicas do Brasil minimizando os problemas e os riscos. “Que crise?”, perguntou ele completando a afirmação da Presidente Dilma Roussef de que “está tudo sob controle”. Será? É verdade que, diante da gravidade da crise mundial, as dificuldades da economia brasileira ainda não são dramáticas. Mas são preocupantes – a inflação resiste, a balança comercial balança, o déficit público afunda, e os investimentos atrasam – e não podem ser minimizadas com a ironia circense do ministro. É verdade também que os brasileiros estão felizes com pão e circo que o governo vem distribuindo com uma generosidade incompatível com os déficits públicos (estímulo consumista e Copa do Mundo) mesmo com o arrocho no consumo provocado pela alta dos preços. No entanto,...

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O Som e Tudo Mais Ao Redor Na Cidade

Sonia Marques > A maioria dos críticos elogiou o sentido de construção, bem como a utilização dos recursos sonoros ou ainda a direção de atuações excepcionais, ou seja, o que é próprio da matéria cinema. Mas disso, pouco entendo. Não sei porque, na árvore em frente à casa de Bia, naquele clima de bairro e de rua, lembrei-me de Vivement Dimanche, de Truffaut. É tudo. De cinema, não falo mais, pois, contra a tendência ao direito geral de expressão e de dar pitaco sobre tudo e qualquer coisa, assumo que sou do bloco que recomenda que o sapateiro não vá além dos sapatos!  Portanto, vou falar do enredo ou trama, do filme de um ponto de vista de moradora da cidade do Recife, bem como na condição de professora de arquitetura e urbanismo. Devo dizer que ando revoltada com o...

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O Preconceito do Preconceito

Fernando da Mota Lima Já houve quem observasse, não sem razão, que o brasileiro é portador do pior tipo de preconceito: o de acreditar que não tem preconceito. Por que é o pior? Porque a consciência do que somos, a consciência do que pensamos e sentimos é o primeiro passo necessário para que mudemos o que temos de pior. O preconceito – de raça, de gênero, de classe, de região e nacionalidade – está entre o que temos de pior. Ele alimenta, nas condições sociais rotineiras, as atitudes de discriminação e intolerância contra o outro objeto do preconceito. Nos tempos de crise, ele é instrumento pernicioso a serviço de ideologias e grupos sociais intolerantes e violentos. Um exemplo da inconsciência do nosso preconceito extraído do balaio onde ajuntei uma infinidade: a senhora recifense, mãe de duas adolescentes louras e...

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Trapalhada Política e Jurídica Na Questão Indígena

Os conflitos indígenas no Brasil envolvem duas questões complexas. A primeira é o verdadeiro caos fundiário dominante nas áreas de fronteira do Brasil com a disputa pela propriedade das terras indígenas que, ao longo das décadas, foram parcialmente ocupadas por produtores rurais, muitos deles com titulação. São 688 territórios indígenas espalhados em todos os Estados brasileiros, numa área de 1,1 milhões de metros quadrados (13% do território nacional) ricos em madeira, biodiversidade e minérios, onde vivem 572 mil indígenas. As tensões e confrontos vão persistir enquanto não forem equacionadas as superposições de titulação com a demarcação e homologação das terras indígenas e sua proteção contra ocupações. A segunda questão é antropológica e diz respeito às mudanças das características culturais dos 238 grupos indígenas que vivem no Brasil com diferentes graus de articulação e integração com a sociedade moderna e...

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Propaganda Enganosa

Sérgio C. Buarque > Paixão e cegueira ideológicas dificultam qualquer discussão séria e construtiva sobre as políticas sociais do Brasil, principalmente quando se trata de iniciativas emergenciais e de assistência aos pobres. Qualquer critica ou dúvidas em relação ao programa Bolsa Família, cartão de visita do governo, tende a provocar uma comoção, e o seu autor costuma ser visto como socialmente insensível, elitista e reacionário. E, no entanto, nada mais tradicional e antigo, para não dizer paternalista, que a distribuição de dinheiro com os pobres para completar um pouco a sua escassa renda. Nada contra a transferência de renda para redução imediata do sofrimento dos pobres e seu miserável orçamento familiar. Entretanto, a divulgação do programa Bolsa Família como um instrumento de enfrentamento da pobreza é uma propaganda enganosa, uma falsificação que dificulta, esconde os fundamentos da pobreza e...

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A Dignidade do Peru

Aécio Gomes de Matos > Estive há poucos dias em visita ao Peru, a Lima, Cuzco, Vale Sagrado e Machu Pichu. Não posso dizer que conheci o País, mas o que vi me deixou impressionado. Não apenas com os registros históricos da civilização INCA que, por si, atraem grande diversidade de turistas de várias partes do mundo. Orientais, americanos, franceses, ibéricos, nórdicos; todos parecendo mais sociáveis do que os conheci em suas próprias terras. O clima social era diferente, dava a impressão que estávamos entre conhecidos. Mesmo nas relações comerciais dos peruanos, com os turistas, a simpatia não tem aquele servilismo que se observa em muitos lugares, particularmente nas regiões mais pobres. O prazer de estar vivendo esse clima comunitário só aumentou minha curiosidade. Essa sociabilidade diferenciada não estaria relacionada à singularidade da forma de vida dos próprios peruanos?...

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