Pages Navigation Menu

Penso, logo duvido.

O Golpe Militar de 64 – 50 anos depois. História, reflexões e desafios atuais

Confira o debate:

Leia Mais

Entrevista com Ivan Rodrigues, assessor de Miguel Arraes

Ivan Rodrigues foi Presidente da CILPE, empresa processadora de leite, na época uma empresa estatal, e um dos assessores políticos do Governador de Pernambuco Miguel Arraes de Alencar.

Leia Mais

Batismo político

Sérgio C. Buarque >  O som do discurso saia pelo janelão e crescia na medida em que eu subia os degraus na entrada da Escola de Engenharia, criando um clima tenso e emotivo, uma agonia por dentro e um calor na cabeça. Vários outros estudantes subiam quase correndo para o auditório no primeiro andar e iam entrando excitados no ambiente abafado e nervoso. No microfone, um jovem baixo de óculos gritava palavras de ordem, interrompido por notícias do rádio informando sobre resistência no sul do país. Grande agitação nos corredores, muita gente pressionando na entrada e um falatório confuso e inquieto, abafado apenas pelo som gritado do microfone. Líderes estudantis, professores e presidentes de sindicatos se revezavam em pronunciamentos à multidão que crescia e se manifestava com grande alvoroço. Momento de exaltação, confiança e medo se mesclavam. Novo orador...

Leia Mais

Tempos difíceis

João Alfredo Correa Prado >   No ano de 1964, ingressei na Escola de Engenharia, egresso do Ginásio Pernambucano, onde já existia uma atividade política bastante desenvolvida. Na Universidade, acompanhei  desde o início toda  a efervescência política que estava ocorrendo no Recife e no resto do Brasil Na primeira semana de aula participei de um curso extracurricular de economia, dado pelo Professor Antonio Baltar, cujos ensinamentos ajudaram a alicerçar as minhas convicções políticas, ainda embrionárias. Naquela oportunidade, na primeira semana de março de 1964, o mestre já alertava para o perigo que corria a democracia, devido à ação dos grupos reacionários que não concordavam com as reformas de base que estavam sendo implantadas pelo governo popular de João Goulart. Os presságios do nosso saudoso Professor Baltar se confirmaram na madrugada do dia 31 de março, com o anúncio do...

Leia Mais

Lembrando o primeiro de abril

Marcelo Mário de Melo >  No dia anterior já corriam notícias sobre deslocamentos de tropas em São Paulo e pronunciamentos golpistas civis e militares. À noite, no Colégio Estadual de Pernambuco- CEP, hoje com o antigo nome de Ginásio pernambucano, o professor Adauto Pontes fez um discurso inflamado contra os golpistas, dizendo que seriam esmagados. Quando já tinha saído da sala, voltou e anunciou da porta: e vai ser pacificamente! No outro o Recife era uma correria só. As tropas do Exército num grande cerco, envolvendo toda a praça da Republica e o Palácio do Governo Notícias de invasões de sindicatos e prisões. As lojas fechando e o povo andando apressado para pegar ônibus. Sugiram rumores no boca a boca militante de que haveria uma resistência partindo da área portuária, com distribuição de armas. Dezenas de pessoas se concentraram...

Leia Mais

Brutalidades Iniciais

José Artur Padilha > No 1 de abril de 1964, amanheci em Escada, Mata Sul de PE, que era então um ativo foco camponês de luta por condições dignas de trabalho, remuneração e vida. Fato ainda hoje, em vexatório débito. Às 5h00, sem café, tomei o ônibus para o Recife. De Escada ao Recife, nada sabendo, notei já bem cedinho uma movimentação anormal de tropas e veículos militares, em diferentes pontos. A cada nova visão, a indagação: por quê? Era já a atuação repressora desfechada face ao foco camponês. O golpe nasceu com longas ramificações. Cheguei à Escola de Engenharia de Pernambuco (EEP), na Rua do Hospício, onde cursava o terceiro ano de mecânica, pelas 7h30 da manhã, para assistir aulas e tomar café no bandejão do Diretório Acadêmico (DA). Tanto pelas tropas que eu vira, como pela inserção...

Leia Mais

Confissões de um capitão

Carlito lima > O som cadenciado e harmonioso do toque de alvorada pelo corneteiro acordou-me naquela luminosa manhã. Eu era tenente do Exército Brasileiro e servia na 2ª Companhia de Guardas, tropa de elite do IV Exército sediada no centro da cidade histórica do Recife. Tropa altamente treinada contra guerrilha urbana, a Companhia de Guardas estava de prontidão há mais de uma semana, devido aos acontecimentos políticos da época. O presidente João Goulart acendia uma vela a Deus outra ao Diabo. Um processo de desgaste político se espalhou sobre a Nação. Um suposto dispositivo militar apoiava o presidente, inclusive o General Justino Alves Bastos, comandante do IV Exército, jurou de pés juntos que defenderia a legalidade. Quando a conjuntura mudou, ele mudou de lado. A situação ficou mais nebulosa depois do grande comício das reformas em frente ao Ministério do...

Leia Mais

Passeata de Sangue

 Ivanildo Sampaio > Já são 49 anos, mas um dia como aquele a gente nunca esquece. Eu, calouro, recém-ingressado na Universidade, vinha acompanhando aqueles dias de março com a mesma  preocupação que tinham os de minha idade – ou seja, nenhuma. Isso,  apesar das greves trabalhistas que tumultuavam o Recife, dos discursos radicais estimulados pelo PCB, de uma certa apreensão que se sentia na sociedade, especialmente por conta da pregação nacionalista de Leonel Brizola e das posições mais extremadas do deputado Francisco Julião, que entre outras coisas queria a reforma agrária “na lei ou na marra”. Deve ser dito que eu concordava com tudo aquilo, me alinhava, na Universidade, com as correntes mais à esquerda, combatia o que chamávamos de “burguesia”, execrávamos os “barões” da atividade canavieira e as poucas multinacionais que atuavam no Estado. Na noite do dia...

Leia Mais

1º De Abril de 1964: A Mentira de 21 Anos – Chico de Assis

Chico de Assis > A imagem que mais me ocorre ao lembrar esse dia é a minha saída do prédio da Agência Nacional (o mesmo dos Correios, na Av. Guararapes), onde trabalhava como repórter-auxiliar. Saía com meu irmão mais velho, Antonio Avertano, diretor da Agência e também metido em subversão à época, além de mais alguns velhos comunistas que lá trabalhavam. As ruas já respiravam o clima de golpe. O Palácio das Princesas, cercado por tropas do Exército, contrariava a previsão do dia  anterior, feita pelo próprio governador Miguel Arraes, em rápida entrevista que com ele tivemos (eu e meu irmão), no fim da noite de 31 de março. Ele acreditava (ou, para nos tranquilizar, nos deu a entender que acreditava) que o golpe seria debelado. O general Amauri Kruel, comandante do II Exército, aderiria ao Presidente João Goulart,...

Leia Mais

Adolescência Interrompida – Aécio Gomes de Matos

Aécio Gomes de Matos Para mim, desde criança, o 1º de abril sempre foi o dia da mentira. Mas naquele 1º de abril de 1964, ninguém duvidou das notícias aterrorizantes sobre o golpe militar que já vinha sendo urdido pelas forças de direita há muito tempo com o apoio dos militares e da CIA, que via na política nacionalista brasileira um risco de repetição da experiência revolucionária de Cuba. Nós, da política estudantil, estávamos entusiasmados com as reformas de base do Governo João Goulart, reestabelecendo o presidencialismo, limitando os subsídios das multinacionais, nacionalizando o petróleo, iniciando uma reforma agrária, estendendo aos trabalhadores rurais os mesmos direitos dos trabalhadores urbanos. O comício da Central do Brasil, realizado em 13 de março de 1964, reunindo mais de 150 mil pessoas, foi o marco do apoio popular às reformas e, ao mesmo...

Leia Mais

Dia da Verdade

Cristovam Buarque > Como toda quarta feira, naquele primeiro de abril de 1964 cheguei cedo à casa dos alunos para dar minha aula como professor particular de física e matemática. Meus alunos eram adolescentes de tradicionais e interligadas famílias pernambucanas: Brennand, Pontes, Monteiro. Naquela manhã, a mãe dos alunos me esperava na calçada, um tanto assustada, e foi logo me dizendo que estava acontecendo uma revolução. Foi à primeira notícia que tive daquele fato histórico que mudaria radical e inesperadamente a vida de todos os brasileiros, sobretudo de um grupo de militantes por um País mais democrático, soberano, justo, socialista: muitos mortos, torturados, exilados, com suas carreiras e projetos pessoais interrompidos de maneira muitas vezes definitiva. Foi pela fala de uma pessoa das altas classes pernambucanas, industriais e usineiros, que fui informado do golpe de 1964. Ela me disse que...

Leia Mais

Abril Despedaçado

Clemente Rosas > Naquele longínquo 1 de abril, quando me dirigi para o edifício JK, na Avenida Dantas Barreto, onde funcionava a SUDENE, meu local de trabalho, logo percebi que alguma coisa muito grave estava acontecendo.  Tínhamos vagas notícias do levante do General Mourão, mas a manchete do jornal “Última Hora”  era otimista: “Tropas Legalistas Marcham Sobre Minas”.  Ao longo da manhã, no entanto, a presença de veículos militares nas ruas, metralhadoras pesadas instaladas nas cabeceiras das pontes, a surpresa e o susto no rosto das pessoas sinalizavam noutra direção. Quase ninguém subiu para trabalhar, e a multidão de servidores permaneceu em frente ao edifício, ocupando a rua, de onde se podia ver soldados do Exército cercando o Palácio do Governo.  A agitação e a confusão eram grandes, surgiam idéias desencontradas, sugestões de ação estapafúrdias, espelhando apenas uma revolta...

Leia Mais