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Penso, logo duvido.

Celso Furtado – Luiz Otavio Cavalcanti  

Luiz Otavio Cavalcanti 

Celso Furtado.

Então, o que aproxima e o que diferencia os pensamentos de Gilberto Freyre e de Celso Furtado ?

Freyre assinou o Manifesto Regionalista em 1926. Por sua vez, Furtado assumiu a superintendência da SUDENE em 1959. Em épocas diferentes, Freyre e Furtado caminharam pelos ladrilhos ecológicos do conceito de Região.

Freyre inventou a sócio antropologia do Nordeste. Furtado construiu a visão moderna da economia regional. Freyre interpretou a sociedade patriarcal nordestina a partir da casa grande, senzala e capela. Furtado releu a economia da Região por elos entre alimentos, miséria e descentralização produtiva.

Ou seja, ambos tomaram o Nordeste como ponto de partida para delinear suas visões do mundo real.

Freyre olhou o Nordeste de dentro para fora. Valorizando a tradição do selo interior. Furtado viu o Nordeste de fora para dentro. Realçando a articulação externa da produção.

Freyre produziu um painel colorido do Nordeste, à base dos modos de comer e de vestir. Furtado montou documentário em preto e branco das formas de produzir e de distribuir.

Convergentes na ventura de pensar o Brasil, foram diferentes em alguns pontos. Freyre aplainou certo ar aristocrático com senso cultural abrangente. Furtado incorporou a dimensão social na equação produtiva.

Freyre enxergou verticalmente a sociedade, com percepção de sociólogo e antropólogo. Furtado definiu horizontalmente a economia, com régua de historiador e compasso de institucionalista.

Chegando à Fundação Joaquim Nabuco, olhei em volta. Vi muitas belezas. O Museu do Homem do Nordeste – MUHNE. A sala do Conselho Diretor. O casarão Francisco Guimarães. O auditório Roquete Pinto. A Villa Digital. O prédio Ulysses Pernambucano, no Derby. Sem falar no engenho Massangana.

Vi também a memória dos grandes zelosamente gravada nas salas Aloísio Magalhães, Manuel Correa de Andrade e Mauro Mota.

Não vi Celso Furtado.

Ora, Gilberto Freyre e Celso Furtado, homens de diálogo, conversaram uma ocasião, entre outras, na casa de Dirceu Pessoa. Segundo Clovis Cavalcanti, presente, uma conversa penetrante e respeitosa. Na qual a diferença de concepções não tinha a menor importância. Importante foi o encontro.

Ah, como o país está precisado de encontros.

Por isso, convidamos Celso Furtado para visitar, no pós-tempo, a Fundação. O resultado está neste livro. Que guarda passado. E aponta futuro. É testemunho. E é compromisso.

Casa Forte, 18 de julho de 2017.

6 Comments

  1. Interessante a comparação. Mas não entendi “O resultado está neste livro.” Que livro? Não há livro citado aqui no texto. Até teria curiosidade de ver um livro comparando as ideias de Celso Furtado e de Gilberto Freyre.

  2. Parabéns Luiz Otávio pela brilhante iniciativa e abordagem original.

  3. Qual livro, Luiz Otavio? Estou entendendo, pelo que acabo de ler, que se trata do prefácio ou apresentação de um livro. E fiquei curiosíssima.

  4. Texto muito bom e instigante. Agora quero ler o livro. Abraços

  5. Antecipo-me para esclarecer aos comentaristas. O livro é o resultado de um colóquio de que participamos, Roberto Saturnino Braga, José Maria Aragão, Sérgio C. Buarque e eu, a convite de Luiz Otávio, na FUNDAJ, sobre Celso Furtado. O texto é realmente o prefácio do livro, a ser lançado. Acho que, inexplicavelmente, um parágrafo do texto foi suprimido. Peço que seu autor se manifeste a respeito.

  6. Isso, Clemente. Agradeço seu dito.
    Agradeço também aos que comentaram.
    E aproveito para dizer que estamos finalizando a editoração.
    Vamos combinar o lançamento ?

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