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Penso, logo duvido.

Desabafos em face das maluquices a que assistimos – Elimar Pinheiro do Nascimento

Elimar Pinheiro do Nascimento

Manifestante ferido em Brasília – quarta 24 de maio de 2017.

Perdoem meus amigos e poucos leitores, impossível fazer uma análise de conjuntura em face de uma realidade que ganha, de lavada, da imaginação literária. Será que o senador Cristovam Buarque, tem razão, e o país caminha da crise para a decadência? Difícil que nossas instituições se sustentem, em face da nova delação de “fim de mundo” que se aproxima, a do Palocci. E como Temer se sustentará com a delação do deputado Rocha Loures, que recebeu a mala de dinheiro e que já se prepara para buscar a saída da cadeia, entregando o amigo?

Nem o STF sobra. Um tem a mulher na defesa do investigado, outro tem no investigado um dos padrinhos para sua ascensão. De outro, desconfia-se que … enquanto 1 em cada 3 deputados recebeu dinheiro da JBS.

Faltam líderes, e sobram malfeitos, incompetência e burrice. Será que temos que chegar a uma guerra civil, para tomar um rumo?

Em face de minha incapacidade confessa, escrevo alguns desabafos.

Malfeitos 

É impressionante a mania de roubar de nossos políticos. É uma verdadeira obsessão, um vício que os torna absolutamente dependentes. Não podem parar de roubar, mesmo quando ações e ações da Polícia Federal se sucedem no País prendendo diretores de empresa estatais, empresários, doleiros e políticos. Colarinho branco na cadeia era coisa raríssima antes de Moro chegar. Mas agora, não. Todo mês tem um punhado de novos colarinhos brancos presos. Mesmo assim, continuam roubando. Sem parar. José Dirceu recebia propina mesmo quando denunciado, julgado e condenado pelo mensalão. Cunha recebia propina na cadeia, junto com seu amigo doleiro. Temer negocia propina com empresário altas horas da noite, e envia amigo para receber a modesta quantia de 500 mil reais, que, segundo dizem, deveria ser paga todas as semanas, durante quatro anos. Este amigo, Loures, apanhado fugindo com a mala de dinheiro, devolve o dinheiro, mas esconde 35 mil.

Por que tanta apropriação indébita dos recursos públicos? Não se pode explicar apenas pela personalidade dos personagens. Deve haver outras razões. Talvez uma cultura permissiva. Não defendo essas posturas, mas aqui ladrão não perde a mão, não pega cadeia perpétua, nem é condenado à morte. Ao contrário. Os de maior sucesso são até invejados, e os de desempenho mais modesto são perdoados. Não conheço ninguém que tenha deixado de falar com um amigo porque ele foi pego com a mão na botija. Conheço muitos que tem, ou criam, desculpas para perdoá-lo. E no caso dos políticos, a mais notória: rouba mais faz.

Incompetências

A incompetência, por sua vez, tornou-se banal, mesmo nos altos escalões. Ou, sobretudo neles.

Como é que um Procurador Geral da República, já no segundo mandato, pede uma investigação do Presidente da República com base em uma gravação, sem análise de sua autenticidade? E ainda, conversa gravada com um aparelho de 25 reais, comprado em qualquer camelô de esquina?

Como é que um ministro do STF libera uma gravação sem verificar sua autenticidade, jogando o País numa crise ainda maior?

Como é que um Presidente da República recebe um empresário sob investigação altas horas da noite, sem ao menos revistá-lo?

Como é que um Presidente da Câmara sai em plena balbúrdia, para pedir ao Presidente da República intervenção de Forças Especiais, ou o que quer que seja, quando a manifestação já está se encerrando?

E como o Presidente, com o Ministro da Defesa, mobilizam as Forças Armadas nessa situação? O vandalismo que ocorreu na Esplanada seria o foco de todas as notícias no dia seguinte, mas o tema foi a presença do Exército em frente aos ministérios.

Perguntas que não querem calar.

E diante de tanta balbúrdia e estupidez surgem questões e mais questões não esclarecidas.

Por que os Batistas ganham um prêmio de tal magnitude? Nenhuma prisão? Nenhuma tornozeleira? Quais interesses entraram em jogo?

Por que sindicalistas e petistas saem às ruas praticando quebra-quebra, como black blocs? Recaída do pensamento autoritário e antidemocrático dos anos 60? Vocação suicida para chamar a direita ao poder?

Por que temos que mudar a Constituição toda vez que há uma crise, quando ela tem os instrumentos de superar a crise? Mania de improvisação?

Por que o PSDB e o DEM não saem do governo, empurrando o Presidente para a saída rápida da renúncia, dando ao país condições de governabilidade?

Por que achamos que eleições diretas são a única solução, quando elas nos arrastarão para o retorno da crise econômica, sem qualquer garantia de que o eleito conseguirá governar com o Congresso que aí está? Mania de autoengano?

Como diz meu amigo Alfredo Soares, este é um país suicida.

2 Comments

  1. Caro Elimar:

    Os grandes autores brasileiros já explicaram como somos como povo. Gente da envergadura de Gilberto Freire, Roberto da Mata, Caio Prado Junior, Darcy Ribeiro, Raymundo Faoro e tantos outros.

    Um outro autor não citado porém ajuda a entender certas idiossincrasias nossas, é Mário de Andrade, com “Macunaíma: o herói sem caráter”. Quem sabe a releitura desse livro mostre como somos como uma sociedade formada com uma história de extração de recursos naturais, para exportação para a metrópole, movida a trabalho escravo.

    Este tipo de configuração leva a formação de uma mentalidade que dificilmente nos promete um futuro promissor como nação organizada!

  2. Estamos à deriva. Não podemos esquecer que sempre houve a corrupção sem que ninguém tomasse providência.No entanto, o quadro atual é extremamente mais grave. Al?m disso os privilégios e mordomias de determinados setores acaba de consumir os poucos investimentos destinado a área social.

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