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Penso, logo duvido.

Entrevista com Ivan Rodrigues, assessor de Miguel Arraes

Ivan Rodrigues foi Presidente da CILPE, empresa processadora de leite, na época uma empresa estatal, e um dos assessores políticos do Governador de Pernambuco Miguel Arraes de Alencar. A Revista Será? que teve seu projeto 1964: Memórias de Abril, lançado em Abril de 2013, com textos de vários estudantes que foram às ruas para defender a democracia contra o Golpe Militar no dia 1 de Abril de 1964, entrevistou Ivan Rodrigues que estava dentro do Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco.

Aos 85 anos, demonstrando uma vitalidade admirável, Ivan Rodrigues nos honrou com sua presença no Estúdio Finis Africae da Revista Será?

Foi sobre esse olhar de Ivan Rodrigues, junto com outros assessores do Gov Miguel Arraes, cercado pelas forças do Exército naquele fatídico 1º de Abril, que transcorreu a entrevista.

5 Comments

  1. É um exemplo de ser humano e de dignidade… Só agradeço a DEus a oportunidade desta convivência com este ser humano ….

  2. Entrevista fantástica!

  3. Belo depoimento. Quero acrescentar uma observação: o General Justino estava mesmo vacilante, até o último momento, e praticamente controlado pelos coronéis, como Bandeira e Ibiapina. Na companhia de alguns amigos, como o médico Fernando Barbosa e a Professora Socorro Ferraz, ouvi uma noite, em meu apartamento, um longo e minucioso relato de tudo o que se passou no Palácio do Governo, desde a noite da véspera do dia 1º de abril, feito pelo Coronel PM Romeu Sobreira, Chefe da Casa Militar do Governador Arraes. Foi Romeu quem foi falar com o Gen Justino (a mando de Arraes) dele obtendo a informação de que permanecia fiel ao Governo Federal, e que aquela movimentação era coisa de alguns jovens oficiais impacientes. Ao voltar Romeu ao Palácio para dar essa informação, todos ouviram, pelo rádio, a notícia da adesão de Justino aos golpistas. Foi quando ficou evidente que não havia nada mais a ser feito, e começaram as despedidas dos que estavam lá dentro. Infelizmente, Romeu Sobreira já não está vivo, para contar essa história.

  4. Clemente: Exalto sua referência ao querido Romeu Sobreira que teve um comportamento da maior dignidade nos episódios de abril de 64. Bravo, coerente, leal e não devemos esquecer também os seus irmãos e queridos amigos Chico e Deolindo. Três valentes mosqueteiros da democracia.

  5. Ivan: Seu retorno me anima a mais um comentário, uma retificação que em nada deslustra o seu depoimento. Os camponeses mortos pelo usineiro José Lopes de Siqueira foram cinco, executados pessoalmente por ele, com revólver ou pistola. O saudoso Gregório Bezerra, querido de todos nós, jovens companheiros, foi quem me contou. Os camponeses foram reivindicar o 13º salário, recentemente instituído na época, em comissão. Peguntados pelo patrão quem era o líder, recusaram-se a responder. Foi o bastante para o velho assassino abatê-los a todos. Com a sua alegação de legítima defesa, o jornal estampou a fotografia dos cinco corpos estendidos no chão, com as facas peixeiras (que qualquer homem do campo sempre conduz, sem nenhum intento agressivo)colocadas ao lado…EMBAINHADAS!!! Eu me lembro dessa foto. E o detalhe das facas nas bainhas, que desmente, por si só, a circunstância da legítima defesa, foi acentuado pelo velho Gregório, em sua conversa comigo. Fica mais este registro daqueles tempos sombrios.

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