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Penso, logo duvido.

Hebdomadário da Corte XXI – Luciano Oliveira

Luciano Oliveira

Jornaleiro.

Alô amigos da Rede Bolha! Até 15 de julho, já sabem: continuo na “bolha da copa”. Eu e Galvão!

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A Espanha nesta Copa continuou a mesma. A mesma mesmice, se posso dizer. Apesar de ser capaz de ter o domínio de bola durante mais de 70% do tempo de jogo, não empolga. Aquele segundo tempo do jogo contra a Rússia foi simplesmente enervante. A Espanha, que nos idos da Copa de 1962 (quando começou minha vida de “copeiro-do-mundo”) era conhecida como “a fúria”, esmera-se há anos num jogo de passes laterais sem objetividade, capaz de entediar “as meninas” de Velázquez! Foi eliminada nos pênaltis pelos anfitriões. Digamos que a Rússia não mereceu ganhar; mas, por outro lado, que a Espanha mereceu perder. Há paradoxos que fazem sentido.

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Mas não gosto de campeonatos ganhos nos pênaltis! Naquela copa de 1994, nos Estados Unidos, o Brasil merecia ter ganho da Itália, na final, porque jogou muito melhor. E não me conformo com aquele gol que Romário (coisa incrível em se tratando do “baixinho”) conseguiu perder embaixo da trave, quando os dois times já disputavam uma prorrogação extenuante. Quando vieram os pênaltis, brochei! E não vibrei, como não vibro até hoje, quando Roberto Baggio chutou aquela bola para fora e meu companheiro de bolha entregou-se à histeria habitual: “É tetra! É tetra! É tetra!” E muito menos gostei da deselegância do Sargentão levantando a taça e gritando palavrões contra quem não gostava da chamada “era Dunga”. Não gostava e continuo não gostando. Para mim, o grande momento do Brasil naquela copa foi o jogo contra a Holanda, com aquele golaço de Romário. Lembram? Eu não esqueço. Correndo, e no ar – naquele momento o tempo parou um centésimo de segundo –, o “baixinho” emendou um cruzamento de Bebeto na rede dos batavos com a precisão de uma lâmina de guilhotina! Sensacional.

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Uma coisa que detesto na prática do futebol hoje em dia – em copa do mundo ou não – é o hábito que os jogadores desenvolveram de falar uns com os outros escondendo a boca com a mão, para evitar que os expertsem leitura labial, de olho nos closesdessas conversas, conheçam as jogadas que eles estão combinando. A primeira vez que vi isso foi num filme de gangster de Martins Scorsese, Cassino, onde Joe Pesci, no papel de um antológico psicopata (praticamente repetindo o mesmo personagem de Os Bons Companheiros), conversava com um de seus capangas palitando os dentes para driblar as teleobjetivas dos “feds” – que é como eles chamam os agentes da polícia federal lá deles. Gosto não. Fica parecendo coisa de bandido…

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Escrevo,hic et nunc, às 18 horas e trinta minutos da segunda-feira, dia 2 de junho. O Brasil ganhou do México por 2 X 0 e passou para as quartas de final. Foi um belo jogo do Brazuca. Depois de um começo em que o México veio com fome e parece ter jogado todas as fichas no início da partida, a Canarinho tomou conta do jogo e Neymar fez um gol no início do segundo tempo. Daí pra frente, foi administrar o jogo no seu campo e esperar a oportunidade do segundo gol, que veio pelos pés de Firmino depois de um passe justamente de Neymar, que parece ter sido “enquadrado” (ótimo!) por Tite. Foi o jogo de um time que parece maduro para chegar à final. Mas até lá ainda tem a Bélgica e, se futebol tiver um mínimo de lógica (o que nem sempre é o caso, o que torna o esporte bretão tão fascinante), uma semifinal com a França. Esse será um jogo para hipertensos assistirem na sala de espera de um hospital com um bom serviço em cardiologia, por via das dúvidas. Desde que ganhamos dos gálicos na Suécia em 1958 (5 X 2), só temos nos ferrado quando os enfrentamos em copas do mundo: perdemos nos pênaltis (outra vez os malditos pênaltis!) em 1986, perdemos na final de 1998, e fomos mandados de volta pra casa em 2006, naquela que alguns consideram a melhor atuação do maravilhoso Zidane na sua vida.

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Como disse, escrevo bem antes do jogo Brasil X Bélgica, sexta-feira próxima, dia 6 de julho, às 15 horas. Assim, quando este “hebdô” for lido, eu estarei deprimido ou eufórico. Em qualquer dos casos, estou contente por ter reencontrado a alegria que toma conta de mim a cada Copa do Mundo. Meu sonho? Ah! Uma final Brasil X Rússia!

One Comment

  1. Pois é, meu amigo Luciano, não chegaremos à sala da UTI para ver a sonhada partida contra a França nas semifinais. Naufragamos antes, entre mérito alheio, fatalidade e dificuldade de leitura de jogo de Tite que, méritos à parte, poderia nos poupar de seus momentos Leandro Karnal, e ser tão perspicaz quanto o espanhol que treina os belgas.

    Mas seu texto é perene e sobrevive aos fatos porque enfatiza pontos nevrálgicos que permeiam a cultura boleira. Cobrir a boca para combinar jogadas é de um ridículo atroz. Vamos agora torcer para que tenhamos um campeão virgem. Minhas opções passam a ser Suécia, Bélgica e Croácia (em ordem inversa, na verdade). Rússia não seria má ideia, mas já foi muito além do que podia.

    Abraço,

    Fernando

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