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Penso, logo duvido.

O mau pagador – Editorial

Editorial

Moedas romanas.

Qualquer pessoa bem informada percebe os positivos indicadores macroeconômicos do Brasil nesta virada de ano: inflação abaixo do piso da meta (2,9%), taxa de juros (Selic) abaixo de dois dígitos e declinante, desemprego ainda alto, mas também reduzindo, e início tímido de crescimento da economia, depois de três anos de retração. E, no entanto, a agência de risco Standard & Poors acaba de rebaixar a nota de classificação do Brasil para nível “especulativo” o que quer dizer, em outras palavras, que o país é mau pagador, ou seja, quem aplicar recursos no Brasil assume grande risco. Onde está esse risco? O risco reside no enorme endividamento público, que vem crescendo ao longo dos últimos anos, até porque o governo não consegue gerar superávit primário para assumir os compromissos da dívida. No final do ano, a dívida bruta do Brasil já alcançava R$ 3,5 trilhões (cerca de 76% do PIB), sendo que 32% dos títulos vencem em até 2 anos. O único fator positivo nesta equação é a queda dos juros (SELIC), que diminui o custo de uma parcela da dívida pública. O tamanho da dívida não seria tão grave se não fosse a total incapacidade do governo de gerar os superávits primários (saldo depois das despesas correntes) para pagar os juros e o principal, que vai vencendo ao longo dos anos. Com não tem esta capacidade, fica evidente a situação de um país mau pagador, observado com suspeita pelos investidores e financiadores. E as expectativas para o futuro não são nada boas. O desempenho das finanças públicas nestes últimos anos mostra um movimento ascendente das despesas primárias obrigatórias (que não podem ser reduzidas ou remanejadas) combinado com uma estagnação da receita. E sabem todos, mesmo os que não querem ver, que o principal nó desta incapacidade financeira reside na Previdência Social, que já representa cerca de 40% de todas as despesas primárias. A agência de risco percebe o óbvio: se não for aprovada a reforma da Previdência (ou se for aprovado um arremedo de reforma) e algumas outras medidas menores que dependem do Congresso e do Judiciário, o déficit fiscal vai continuar crescendo, a dívida vai explodir, vai faltar recursos até para as despesas primárias e obrigatórias. E o Brasil corre um risco real de calote. Alguém aposta no desastre?

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