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Penso, logo duvido.

Obscurantismo e pusilanimidade – Editorial

Editorial

Sérgio Moro em jantar com Leandro Karnal.

Triste do país no qual um intelectual tem que pedir desculpas nas redes sociais por suas posições políticas e, mais ainda, por postar uma foto, num simples jantar ao lado de um Juiz de Direito. A reação enfurecida dos leitores de Leandro Karnal com a foto do professor ao lado do juiz Sérgio Moro evidencia o obscurantismo e a intolerância que assolam o país, nesta dramática fase da História brasileira. No entanto, mais lamentável que a fúria fanática dos seus seguidores foi a covardia intelectual de Karnal, retirando a foto do seu facebook e, muito pior, escrevendo uma nota desculpando-se, considerando que cometeu um erro e quase atribuindo o “erro” a um estado de embriaguez. “Por perceber que errei, deletei o post com a foto, feito (sic) após algum vinho”, escreveu Leandro Karnal. Qual foi o erro, professor? Ter jantado com o juiz que está empenhado no combate à corrupção sistêmica no Brasil? Ou ter tido a ousadia de tornar público este encontro festivo, regado a vinho? Um intelectual sério não pode subordinar seu pensamento e suas ideias aos humores raivosos da patrulha ideológica, menos ainda ao receio de perder seguidores no facebook, mesmo quando isso possa representar uma fonte de renda. Na sua carta-desculpa, Karnal diz que continua estranhando e lamentando a polarização política no Brasil, que mostra “mais fígado do que cérebro”, de acordo com suas palavras. Mas, cedendo às manifestações carregadas de bílis dos seus seguidores, que parecem acreditar ainda na pureza moral do PT – Partido dos Trabalhadores, Karnal apenas fortalece o maniqueísmo e, pelo visto, situa-se de um dos lados desta fanática fragmentação ideológica.

7 Comments

  1. Lamentável, mas retrata bem a fragilidade de nossa intelectualidade, prisioneira do sucesso do momento, do frugal, do imediato, do ilusório. Lastimável! E parabéns a coragem dos editores da revista que certamente serão execrados nas redes sociais, este espaço privilegiado do obscurantismo e da intolerância. Com ricas excessões.

  2. O gesto de Karnal não foi apenas de covardia, foi também de oportunismo. Ele é do tipo de intelectuais que buscam, antes de tudo, os aplausos de assistências jovens e imaturas. Por isso, não é merecedor do meu respeito, como pensador e polemista.

  3. Apenas lamento. Sou admiradora do Karnal mesmo nao discordando da ideologia politica de esquerda a ele atribuida, exatamente por usar mais meu cerebro que meu figado

  4. Desconfio que a jogada toda desse colunista que virou celebridade da noite para o dia tenha sido deliberada busca de publicidade: publicar foto na rede por jantar com Moro já é uma cafonice exibicionista, e depois apagar alegando pressões é cafajestice pior ainda. “Pensador e polemista”? Vou mais longe que Clemente Rosas: nem como um dos colunistas do Estadão eu respeito. Não entendo onde foram catar esse tipo.

  5. Karnal surpreendeu-nos, é verdade. Comedido, não grita nem usa palavrões como Clovis Barros Filho. Mesmo assim, cativou uma multidão de ouvintes pela cultura que exibe. Foto de jantar, seja lá com quem for, não me parece recurso adequado para consolidar seu prestígio. Porém, uma vez publicada a foto, não cabia nenhum pedido de desculpa, muito menos a gente que gostava de suas palestras e que agora o condena, demonstrando intolerância, fanatismo e incapacidade de trocar ideias com quem pensa diferente.Em tempo: nada tenho contra os palavrões. Gosto das aulas e palestras de Clóvis, Mosé e Giacoia, entre ourtos.

  6. Estranhei o comportamento do intelectual Karnal pós ingestão de vinho. Não importa a quantidade que ingeriu. Não sendo eu um intelectual de carteira apenas evidencio e lamento a sua ocasional fraqueza, situação a que estamos sujeito como ser humano. Continuarei ocasionalmente ouvindo-o na TV Cultura. No Jornal da Cultura. Acatando ou discordando dele em suas colocações sobre qualquer assunto, incluindo o do seu cabedal político.

    Bartolomeu Franco

  7. Que País é esse?

    Longe do Brasil há alguns dias, admito que não estou perdendo grande coisa, a depreender do que ando lendo no noticiário. A distância, contudo, deve estar obliterando minha visão das coisas. Isso porque eu julgava que o tal professor Leandro não tinha adeptos em hostes obscurantistas. Pensava sim que, diante da tal foto, estas diriam que nada era tão esperável quanto um jantar entre os “enfants terribles” do momento: o Moro e o Kojak.

    Surpreso mesmo fiquei em saber que seu conhecimento pasteurizado e “prêt-à-porter” também encontrava ressonância entre os enraivecidos. Daí ter ficado surpreendido (de novo) com a retirada da tal postagem. Será que acabou a temporada de boas receitas de Karnal? (Aliás tudo o que começa com semelhante sonoridade no Brasil parece que anda em baixa). Será que ele fez a conta certa? Os poucos que perderá “à esquerda” valem mesmo os muitos que se decepcionaram com ele “à direita”? Virou o Bruno 2? Já teve aulas canceladas? Shows de fim de ano?

    Em suma, são chuvas de verão. Quem ainda lembra de Lair Ribeiro? Ou do Método Silva de Controle da Mente? Convenhamos, para um País que já teve Paulo Francis, estamos navegando águas bem tépidas. E a história do vinho euforizante? Meu Deu do céu! Não teria sido um porre de tônico capilar? Não entendo mais nada do Brasil.

    Aliás, vendo o que aconteceu no Ministério da Agricultura com um produto tido como “world class”, fico imaginando o dia em que deflagrarem a operação “educação fraca”. O que não deve ter de conluio por trás das fábricas de diploma… Bom, uma coisa de cada vez. Quanto ao Moro, quando ele quiser beber, um conselho: tem que achar companheiros mais decididos, Excelência. Biriteiro covarde é uma lástima. Especialmente para quem tem tão pouco tempo de lazer, como é seu caso.

    Não, vocês não querem que eu volte!

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