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Penso, logo duvido.

Política pós Lava-Jato – Felipe Oriá

Felipe Oriá

Campanha O primeiro voto.

Enquanto o país parou para assistir à Copa do Mundo, passaram despercebidos  alguns gols-contra que o Brasil levou. Chegamos ao ponto em que não se pode sequer assistir a uma partida de futebol sem que o país seja saqueado. Em meio ao que alguns chamaram de desmonte da Lava-Jato, vários partidos marcaram seus gols nessas semanas. Tivemos políticos inocentados, julgamentos adiados e acusações arquivadas. Apesar da indignação geral, o país ainda parece perdido entre discursos populistas e uma busca errática por um país sem corrupção.

E se, ao invés de um Brasil sem corrupção, sonhássemos com um Brasil íntegro?

Um Brasil sem corrupção significa rigor com todo e qualquer desvio da lei. Esse seria um avanço como nunca vimos. O Brasil seria outro país. Mas seria suficiente? A ausência de crimes não constitui um projeto de país. Um país sem crimes abarca ao mesmo tempo a Noruega, Cuba e a Coreia do Norte.

Uma alternativa é lutarmos por um Brasil íntegro. Integridade é fazer a coisa certa pelos motivos certos – não apenas por medo de punição. Significa que no lugar de mais controle e fiscalização, busca-se legitimidade! Um país em que se paga impostos por acreditar que serão bem gastos e não por medo da receita. Em que se segue a lei por acreditar no papel do cidadão e não por medo da polícia.

É ai que o Brasil se embola no meio de campo. Integridade pressupõe resolver nossas contradições enquanto país.

Não é possível pagar impostos com convicção em um sistema tributário que cobra mais de quem tem menos. Pedimos sacrifícios da população para um ajuste fiscal necessário, enquanto coorporações do serviço público barganham por mais privilégios. Buscamos o respeito às leis enquanto a impunidade está à venda e juízes nas altas cortes antecipam sentenças. Queremos instituições fortes, mas temos na base de tudo isso uma política sem transparência.

É preciso ser inflexível com a corrupção. É preciso ser intolerante com a impunidade. É preciso ter raiva e ir às ruas. É preciso, mas não é suficiente.

Precisamos sonhar com um Brasil que respeite as leis por convicção e não por medo de punição. Não adianta combater corrupção sem reformar nossa política. Não podemos falar em reforma fiscal sem discutir privilégios. De nada serve discutir corrupção sem falar em integridade.

É preciso fazer uma nova aposta. Precisamos construir uma política pós-corrupção, uma política pós Lava-Jato.

 Felipe Oriá é pré-candidato a deputado federal e líder do movimento Acredito. Mestre em políticas públicas pela Universidade de Harvard, foi professor da FGV, onde coordenou o Laboratório de Políticas Públicas.

2 Comments

  1. Concordo com Oriá, mesmo sem ir às ruas, pois a minha fisioterapeuta acharia um exagero. Sair para ir votar já será é de bom tamanho. Bem que gostaria de ver o povo nas ruas, principalmente os jovens, mas faz tempo que não vão. Um tantinho foi para torcer pela pátria de chuteiras e só. Parece que há um monte de fisioterapeutas impedindo. Não como a minha, gente fina e politizada, mas as do mal, criando a apatia, o desanimo a descrença, o branco e nulo, o tem jeito não. Espero que entre agosto e outubro isso mude. Caso contrário, nos próximos anos, veremos as ruas cheias dos que se arrependeram de não ter ido antes

  2. Se estudou políticas públicas em Harvard, porque não discute alguma política pública? Podia escolher uma da cada vez. Discutir privatização, por exemplo. O maior gol contra que o Brasil levou na época da Copa foi um abuso de poder de um ministro do STF, Lewandowski, que, sem qualquer base legal, que qualquer privatização, em qualquer instância, tem que ser discutida no respetivo legislativo (federal, estadual ou municipal). Tumulto e incerteza jurídica é o efeito imediato, com estatais impedidas de se livrarem de partes de suas atividades que estão dando prejuízo. Será possível que o que se ensina em Harvard é fazer sermão sobre “integridade”? – whatever that may mean. Me lembrei até que o Brasil teve em algum momento de sua história um partido “integralista”. Alguma semelhança com a integridade pregada agora?

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