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Penso, logo duvido.

Quanta insensibilidade! – Editorial

Editorial

Ratos com togas.

O STF-Supremo Tribunal Federal não parece devidamente informado sobre a realidade do país em que está inserido, e ao qual deveria servir como uma das instâncias máximas da República. Com a decisão desta semana, incluindo no orçamento de 2019 um aumento de 16,38% nos salários dos ministros, a alta corte de justiça do Brasil mostrou-se totalmente insensível ao drama nacional, à grave crise econômica, com mais 13 milhões de pessoas desempregadas (portanto, sem nenhum salário), e com um desinteresse lamentável pela falência do Estado brasileiro, por seu enorme déficit primário. Os salários dos ministros subirão de R$ 33,7 mil para a bagatela de R$ 39 mil (mais de 40 salários mínimos), tendo, além do mais, um efeito multiplicador nos gastos públicos, na medida em que elevam o teto de salários dos servidores, definido pela remuneração dos ministros, e provocando um aumento imediato dos salários de todos os magistrados, precisamente os servidores mais bem pagos do Brasil, e beneficiados, ainda, com diversos e vergonhosos penduricalhos. Para completar o prejuízo, aumenta o descrédito dos brasileiros nas instituições democráticas (já tão desmoralizadas) e, particularmente, no Judiciário e no próprio STF. É importante registrar, contudo, que a aprovação desse aumento, que macula a imagem do STF e afronta a sociedade brasileira, não foi unânime. Os ministros Cármen Lúcia, Celso de Mello, Rosa Weber e Edson Fachin foram votos vencidos, refletindo a preocupação com “a crise fiscal que afeta o Estado e a crise social que se projeta sobre milhões de desempregados”, segundo Celso de Mello. Difícil imaginar que o Congresso Nacional, fragilizado e desmoralizado, tenha coragem de afrontar o STF, não aprovando o aumento. E é muito pouco provável que o Presidente da República, ameaçado por processos que circulam na alta corte de justiça, tenha a ousadia de vetar a decisão. Desta forma, o futuro Presidente da República, seja lá quem for, terá a inglória tarefa de cortar mais fundo ainda nos gastos públicos, para não mergulhar de vez o país no caos econômico e social.

3 Comments

  1. Não ouvi ninguém dizer ainda….mas parece que o acordão se fecha e morre a Lava-jato. Aos poucos iremos saber. Pacificadores fazem QQ esforço pela “paz”.

  2. No mesmo dia o governo cortou dezenas de milhares de pessoas beneficiárias do BPC, o pouco conhecido Benefício de Prestação Continuada, que paga um salário mínimo a idosos e deficientes físicos sem renda, conforme tenham comprovado ao requerer o benefício. Pois é, o governo fica caçando onde cortar gastos para tentar conter o aumento do déficit primário e da dívida. É até possível que havia gente recebendo o BPC de um salário mínimo indevidamente, mas é sabido que tal “vazamento”, no BPC como no Bolsa Família, é relativamente pequeno. MAS QUE FANTÁSTICO SENSO DE PRIORIDADES TEM A NOSSA REPÚBLICA DE FUNCIONÁRIOS E A SUA ELITE NO PODER JUDICIÁRIO! E é gente que se aposenta em geral com o mesmo valor do salário, não há teto, enquanto o teto do INSS é atualmente inferior a 5 mil reais. Entenderam porque há alguns meses magistrados foram a Brasília e encheram o STF de funcionários do Judiciário protestando contra a reforma da Previdência?

  3. Creio que TODOS os entes públicos, parece-me, devem estar atuando em outros países, pois que, em seus atos e ações, desconhecem as agruras pelas quais passam todos os Brasileiros. Isso não é de hoje. Um ditado antigo dizia: quem nunca comeu mel se lambuza. Na minha opinião, detentores de cargos desse escalão deveriam ter “prazo” de atuação definido. No máximo 5 anos. Deputados, senadores e assemelhados, 4 anos e só. Ou seja, devemos envidar esforços no sentido de acabar com essas capitanias hereditárias que tantos males provocam neste nosso Brasil, legislando em causa própria ou para causas de amigos ou companheiros. Nessas “capitanias hereditárias”, ditos senhores têm seus planejamentos a largo prazo, encastelados e se achando donos daquilo que é do POVO. A começar com a “jabuticaba” da República Federativa Democrática. Sem quer explicar o óbvio, os gregos, pais da democracia, a entendiam como o governo do povo, pelo povo e para o povo. Operações como a Lava-Jato conseguem identificar que tudo foi arquitetado para ser pelos interessados e contra o povo. Argumentar que a Previdência Social é a causa de todos os problemas é uma “conversa para boi dormir”. Se há quase 50 milhos de brasileiros sem atividade, esses que contribuíam para o sistema deixaram de contribuir. Não estará aí o déficit do sistema? Os recursos da Previdência que foram subtraídos para a construção de Brasília, da Ponte Rio-Niterói e da Transamazônica, apenas para citar poucas retornaram para os cofres do sistema previdenciário? Diante de tanto descalabro a Alta Corte resolve corrigir seus salários, não desconhecendo, pois ignorantes não o são, que haverá o efeito cascata nas demais categorias que impõem seus argumentos para o aumento salarial. Resta para todos nós, que dependemos do salário mínimo, cortar mais e mais nossas despesas, pois que não mais cabem no valor das aposentadorias percebidas. Quanto ao mais, parabéns a todos vocês que nos brindam com essa Revista maravilhosa, escrita por Pernambucanos corajosos, que não expõem mazelas, mas sim problemas.

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