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Penso, logo duvido.

Renuncia, Temer! – Editorial

Editorial

Michel Temer.

Renuncia, Temer!

O senhor já deu uma colaboração importante para tirar o Brasil do atoleiro econômico, e compôs uma agenda altamente positiva e consistente de redefinição do modelo fiscal, necessária para a recuperação da capacidade de investimento público e da confiança dos agentes econômicos. Mas sua capacidade, como presidente da República, para conduzir as negociações para aprovação desta agenda, está praticamente esgotada, depois do enorme desgaste provocado pelas denúncias que levaram à abertura de processo no STF e a um inevitável interrogatório pela Polícia Federal. A insistência em permanecer cria um clima alongado de instabilidade, desconfiança e incerteza em relação ao futuro, contribuindo para a contenção das incipientes melhorias da economia e, mais grave ainda, para a degradação das relações políticas e sociais do Brasil. Este seria o momento para um gesto de grandeza do senhor presidente, gesto que poderia servir de base para negociar uma transição: renúncia ao mandato, condicionada a um entendimento com as grandes lideranças políticas de diferentes tendências, para a definição de um plano de contingência que prepare o país para as eleições de 2018, focando nas questões mais urgentes, que não devem esperar pelo presidente que vier a assumir o governo em janeiro de 2019. A gravidade da situação econômica e social do Brasil e a dramática fragmentação política pode (deve) facilitar este entendimento. Embora os políticos, mesmo as grandes lideranças políticas, pensem mais no poder do que no país, não vale muita coisa a detenção do poder no meio do acentuado caos que se anuncia. Convidem-se para a negociação as principais lideranças políticas da atualidade no Brasil, independentemente mesmo de envolvimentos em investigações da Lava Jato (quase todos estão de alguma forma sendo investigados) e de diferentes tendências, convide-se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, a ex-senadora Marina Silva, líderes de outros partidos de peso na política brasileira. Henrique Meirelles deve ser o avalista do acordo. Com a renúncia assinada, o senhor entregaria sua proposta de reformas e construiria uma agenda mínima de consenso. Difícil? Muito. Mas este é o momento de um gesto de ousadia e grandeza do presidente, que pode forçar as outras correntes políticas a assumirem também uma posição de flexibilidade em seus interesses, para a aprovação das medidas mínimas necessárias à transição.

8 Comentários

  1. Com muita tristeza registro o que pensei instantaneamente quando terminei de ler: “wishful thinking”, zero de factível. Como exortação, muito lindo, e então espero que eu esteja enganada.

  2. É muito difícil. Mas não tem saída fácil.

  3. Concordando com Helga, faço as seguintes reflexões:
    Primeira hipótese: o presidente obstina-se em não renunciar (o mais provável, aliás). A campanha pela renúncia o enfraquecerá ainda mais, e dificultará, consequentemente, a sua luta pela implantação das reformas, que parece ser a sua missão quase exclusiva. A situação econômica será agravada, pelas expectativas desfavoráveis.
    Segunda hipótese: o presidente renuncia. E não há qualquer garantia de que o seu substituto, eleito indiretamente, venha a ter compromisso com as reformas ou com a moralidade e a Lava Jato. A situação poderá ser ainda pior.
    Terceira hipótese: o presidente renuncia e são programadas as eleições diretas. Vários meses de turbulência, até ser ultimada a alteração constitucional, com duas votações nas duas casas parlamentares. Economia estagnada, diante da incerteza do futuro e das indecisões do presente. E, sem o final da Lava Jato, poderemos eleger alguém que será depois condenado por um rosário de crimes, ou alguém ostensivamente adepto da militarização do país, numa experiência de aprendiz de feiticeiro.
    A saída! Onde está a saída? Eu, que nunca votei em branco, sempre buscando soluções menos ruins e viáveis para o nosso país, confesso minha perplexidade. E tendo a deixar o barco correr, até que, pelo lado da Justiça, o quadro se defina.

    • Clemente

      O presidente Temer pode até sobreviver a esta turbulência no cargo considerando a ausência de alternativas políticas, desgaste de todos os políticos e partidos e mesmo um aparente cansaço da sociedade, com mas não terá mais a menor condição de alcançar resultados na “sua luta pela implantação das reformas”. Acordo político como proposto no editorial é muito difícil porque os tais líderes políticos que têm força não pensam no Brasil e alguns apostam no caos. Mas seria a única alternativa para evitar o desastre e preparar uma transição mínima para as eleições de 2018 e a posse de um novo governo e um novo Congresso que, infelizmente, novo não quer dizer, necessariamente, bom ou melhor do que temos hoje. Estou muito pessimista e acho que o editorial faz um chamado, sem poder de fazer e mesmo sabendo que os políticos brasileiros não estão à altura da crise e dos desafios do Brasil.Coerente com o editorial da semana passada da Revista, “Sem Temer, pelas reformas”.

    • Como não há nomes que possam dar alguma estabilidade ao processo, mesmo que se espere que Temer possa ser preso às 14 h do dia 1/01/2019, até então, parece ser a melhor solução.

      Ou, alguém já viu, leu, ouviu UM NOME QUE TENHA CONDIÇÕES DE TOCAR A AGENDA? Eu não!

  4. A Renúncia precedida de um Grande Movimento de Articulação para Viabilizar o País até as eleições de 2018 é uma atitude esperada de um ESTADISTA!! E lamentavelmente atual presidente não é um ESTADISTA !!

  5. AMIGOS,
    O que garimpei dos escritos daí de cima me fez pensar que alguma coisa é preciso desejar: que o TSE decida logo; que as articulações revelem logo o nome do Noivo ou, de preferencia, da Noiva nessa nova travessia para que cheguemos a 18 com a maior redução de danos possível.

    O que fazer para que os nossos desejos se realizem? Como identificar e dialogar com os políticos e lideranças capazes de influir nas articulações e mobilizações? Que é possível fazer além de duvidar e esperar?
    Destaco o grande poder das redes sociais: acredito nas boas ideias ditas com concisão. Claro que existem a polarização e a recusa do diálogo dos dois grupos principais. Mas, por razões diversas, há uma unanimidade sobre a rapidez necessária à saída de Temer. Isso exige uma concentração e um aprofundamento da concertação.

    Quero crer necessário também lançar a discussão de perfis (DEFENDER A LAVA JATO É PRECISO) para o Condutor dessa curta Travessia.
    A propósito, deixo abaixo um link que dá informações muito importantes sobre as características dessa polarização.

    Fico grato por me permitirem pensar no assunto e abraço a todos

    HELTON ALVES LIMA

    : PROGRAMA DE ENTREVISTA DE MARIO SERGIO CONTI COM:
    PESQUISADOR DAS REDES SOCIAIS SOBRE POLARIZAÇÃO NA POLÍTICA

    https://globosatplay.globo.com/globonews/v/5911635/

  6. Tentando entrar na pele de Temer, acho que o mais patético dessa história toda é o fato que ele tenha tido relativo controle das coisas e que elas avançavam até muito bem. Por incrível que pareça, até a eclosão do caso Loures – de longe o mais desgastante para o Planalto -, tudo parecia se encaminhar para a aprovação das reformas, o que conferiria ao presidente um lugar discreto na gratidão da parte mais responsável da opinião pública. Mas então vieram as escutas. Como já dizia Svevo, é próprio da condição humana desprezar o pequeno prejuízo e redobrar a aposta para níveis impagáveis. Essa síndrome de quebrar a banca, do tudo ou nada das mesas de bacará do Líbano, levou-o a substituir o Ministro da Justiça de forma atabalhoada, relegando Loures, o bom rapaz, a uma prisão para a qual não está minimamente preparado. Aliás, quem está? Como pode o presidente ter tomado uma atitude tão irrefletida? Não sei. O que pode resultar daí? Tudo, inclusive que o ex-deputado dê prosseguimento à escalada e diga até o que não viu para se livrar das grades, o que não é raro nessas ocasiões.

    Nesse contexto, a falta que Teori faz é imensa. Estivesse ele entre nós, poderia coreografar a despedida de Janot da Procuradoria respeitando seu dilmismo latente (acho que é o único simpatizante desa seita satânica), e evitando que salpicasse de sangue o palco em honra de sua guia. Quanto ao ministro Fachin, este ganharia mais tempo e recuo para se adaptar à toga, sem ter que lavrar no açodamento a humilhação a que se submeteu para conseguir a sonhada vaga no STF. Para quem está lembrado, ele se debulhou em lágrimas, envolveu a mulher e a filha na arguição, evocou os pais e, à sorrelfa, foi pedir apoio do empresariado – JBS incluído – para emplacar. Quando apareceu a primeira oportunidade de retomar a dignidade, começou a atirar a louça na parede. Tivesse o governo conhecido o caos desde a hora zero, a renúncia poderia constar do cardápio. Mas o pior é que o vácuo foi preenchido, e até bem. Agora que o caldo desandou, sequer o bom senso tem mais lugar. Mesmo porque a dupla de zaga Padilha e Moreira de tudo fará para que Temer se aferre ao cargo. E não é por amor ao Brasil, bem entendido.

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