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Penso, logo duvido.

Retrospectiva – David Hulak

David Hulak

David Hulak à esquerda.

David Hulak à esquerda.

Como dizia Millôr, o brasileiro mais inteligente que já passou por aqui: livre-pensar é só pensar, pois que o Mestre nos abone. 

Ainda não vi retrospectiva de prisões, cassações oriundas de malfeitos de políticos, cabos eleitorais, vereadores , raposas felpudas e dos mais graúdos.

Ao longo do ano findo, todo dia havia notícia de operações policiais com nomes criativos – uns mais outros menos-; denúncias no âmbito dos Ministérios Públicos, decisões de abrir processos por parte do Judiciário. Uma tal retrospectiva, bem repercutida, criaria um certo pudor em potenciais malfeitores, inibindo-os?

Vem ano eleitoral com poderes republicanos e federativos na berlinda. Os que os tem tentando mantê-los e muitos querendo se empoderar. Isso vai custar caro.

De onde virá a grana? Haverá benfeitos em 2014?

“Um otimista é uma pessoa que não tem certeza sobre o futuro desse país”. 

Li por todos os anos, bem como nos anteriores, nos jornais diários, agradecimentos a médicos, enfermeiras e seus nosocômios pela dedicação a familiares dos decujus. Nunca vi agradecendo aos que escaparam com vida. Alguém já disse que havia visto alhures, mas eu mesmo não.

“Morte súbita é aquela em que a pessoa morre sem o auxílio dos médicos”. 

Foi o ano do liberou geral: Bagulho Oficial em Seattle, Denver e em Montevidéu. Casamento de homossexuais, gays e lésbicas (“mulheres sexuais” como dizia uma faxineira minha conhecida, metida a Houaiss). Fim do mandato de Feliciano como Presidente da Comissão de Direitos Humanos. Voto aberto no Congresso. HBO em canal aberto. Ninguém diria em 2012. Quem dirá hoje de 2014?

“No paleolítico ninguém acreditava no neolítico” 

Agora, falando sério, foi o ano do Papa: Faxina no Banco, com continuidade, ao contrário de outras que se cansaram no meio do caminho. Antevisão de um Concílio, ao menos pelos mais esperançosos como Juracy Andrade que vem clamando pela separação da Igreja e do Vaticano,” teoestado”.

“Vossa Santidade, só agora isso chegou a seus castos ouvidos?” Ou:

“Se eu fosse o Papa vendia tudo e ia embora” ( Millôr profético).

Avalie na Copa: Tivemos várias tentativas de homicídios nas arquibancadas, Tribunais esportivos aplicando a Doutrina Positivista, Felipão, Náutico, Santa e Vasco na segundona, o Olinda Futebol Clube sem conseguir acesso por culpa de erros da arbitragem e algumas malas pretas, E se a o Brasil perder por dois a um para o Uruguai?

“O otimista não sabe o que o espera” 

No capítulo “Onde é que isso vai parar” a sigla que mais rolou foi o PIB e por consequência o neologismo pibinho. A doutrina econômica moderna ganhou o conceito de Heterodoxia Envergonhada, isto é, concessão e não privatização. Como diria a administração das arenas brasileiras: sai Benjamin Shalom Bernanke entra Janet Yellen, o que demonstra que “Os Protocolos dos Sábios do Sião” são muito sábios e esses abscônditos judeus continuam a dominar o mundo e, no Brasil, levando à fuga de capitais e ao turismo interno, pois os Dólares vão exigir mais Reais.

“Fique tranquilo: sempre se pode provar o contrário”. 

Na “mass media”, a popular mídia, extrapolaram em efemérides nas datas redondas. Cem anos que morreu, oitenta em que nasceu, mil anos no poder, e vai por aí. Solitário, vou esperar mais oito anos tentando ser célebre nesse meio tempo e arredondando a existência.

“Eremita,
No deserto me afundo
Pra ser
O centro do mundo”. 

Enfim, a grande notícia do ano: “Sera?” e “Algo Mais” tornaram-se parceiras e seus leitores poderão exercer a dupla militância. Millôr foi convidado a colaborar, mas alegou estar muito ocupado desconstruindo as Onze Mil Virgens. Disse ainda que está esperando este articulista para tomar néctar e ambrosia tipo escocesa, o que foi adiado pelos próximos trinta anos. Aturem-me.

 

 

Um Comentário

  1. Que bom degustar da inteligência de David Hulak em texto, já que fui seu interlocutor ao vivo no extinto Ceag. Posso considerar David um amigo do peito, já que foi meu avalista em um empreendimento jornalístico. Também bebemos. Nas reuniões profissionais, políticas ou etílicas sempre admirei sua verve crítica, o raciocínio sagaz, arguto, às vezes cínico – filosoficamente falando. Abraço ao mestre do pensamento estratégico.

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