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Penso, logo duvido.

From Russia with love – Fernando Dourado

Cheguei a Frankfurt depois de um breve cochilo e um almoço decente. Fui direto para o terminal B, de onde saem os voos para a Europa do Leste e, lá chegando, vi diminuírem as chances de encontrar a tal roupa de frio de que precisava.

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Anotações de uma viagem solitária de Leste a Oeste da Polônia – Fernando Dourado

Se você está na terra de Ludwik Zamenhof, o linguista que tentou desfazer o nó da Torre de Babel e criou o Esperanto – a sonhada língua universal -, nada mais esperável que se sinta tentado a almoçar no café do mesmo nome…

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A Polônia onde até a paisagem fala iídiche – Fernando Dourado

Márcia Diamond me perguntou ao telefone que cara tem a cidade de Lublin. Normalmente desinteressada por tudo o mais que não seja o universo lúdico de seus cães de estimação, por uma vez me surpreendi com a curiosidade dela por essas bandas do mundo.

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Um mojito com o embaixador – Fernando Dourado

Será que José Dirceu de Oliveira e Silva voltaria um dia a atravessar de carro o vale do Ribeira, aquela região feiosa do estado de São Paulo, logo depois da divisa do Paraná? Não, era quase certo que nunca mais faria o trajeto.

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O dia de canalha de Yves Farias – Fernando Dourado

Todo homem de meia idade tem um cartel de feitos e derrotas de que pode se orgulhar ou se penitenciar. Isso vai da severidade com que o examine. Dito rigor não é imune a flutuações que podem variar de acordo com a mecânica…

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As vidas paralelas de Tibério Bontempo – Fernando Dourado

Tibério Bontempo, 43 anos, caminhou lentamente até o meio do parque e, apesar de ter trilhado um longo declive, chegou resfolegante ao banquinho onde costumava sentar para apreciar o panorama.

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“Dernier virage” – Fernando Dourado

No jargão interno da Air France, quando o avião se aproxima do terminal para o encaixe da porta no finger, uma voz encorpada emana da cabine de comando e anuncia um enigmático: dernier virage.

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A fábrica – Fernando Dourado

Até os 15 anos de idade, José Umbelino Gomes Farinha amaldiçoava o pai todo dia por lhe ter dado um nome de batismo tão ridículo quanto ingrato. Ora, por muito que se esforçasse em ser identificado simplesmente como José, certo é que o Umbelino tinha uma força gravitacional forte.

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O fim do passado – Fernando Dourado

De olho na televisão, Harold se divertiu com o depoimento do salva-vidas. Tanto achou interessante o que o rapaz disse, que chegou a enxugar uma lágrima de emoção. “Se você sentir que a corrente o está puxando, não tente nadar em direção à areia.

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Fim de inverno na Bósnia-Herzegovina – Fernando Dourado

Rino Cosentino chegou tão eufórico a Sarajevo que não se apercebeu que o hotel Grand ficava a pequena distância da estação rodoviária. A viagem tinha durado quase dezoito horas, mas valera cada…

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Uma história de amor e saudades – Fernando Dourado

Quando cheguei à família, nos tornamos três. Eu, portanto, e mais dois veteranos. Confesso que me senti tão bem acolhido por aqueles pares de olhos brilhantes de adultos e crianças que nem me incomodei com o cão grandalhão, de passadas enormes, que durante os primeiros meses alcançava a…

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O dia em que a Terra saiu do eixo – Fernando Dourado

O ano estava perto do fim. Atravessamos de carro o interior da Polônia rumo à Cracóvia. Por sorte, a rodovia estava seca, o que nos permitiu manter boa velocidade e chegar ao destino no começo da noite.

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A Turma da Van – Fernando Dourado

O velho desembargador primeiro apostou que o filho adotivo pudesse entrar numa dessas faculdades de Direito que se contam às dezenas e, aos trancos e barrancos, arrancar uma graduação.

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A visita de Doroteia ao filho Nestor – Fernando Dourado

Não podia ter sido maior o susto de Doroteia ao deparar o detalhe da cena, mal o filho abriu a porta para recebê-la, munido daquele olhar esgazeado que lhe era próprio, onde as retinas mal dissimulavam o enfado de tê-la em seus domínios.

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Eu, Martina Lawrence – Fernando Dourado

Se há uma pequena catástrofe que pode se abater sobre a vida de uma mulher assumidamente perfeccionista, é a de constatar que, depois de ter condensado em dez horas de trabalho o essencial de sua vida de crítica de gastronomia e esposa…

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Uma noite nos Bálcãs – Fernando Dourado

Os ponteiros brancos do velho Swatch vermelho ainda assinalavam seis horas da tarde quando Rino teve que encerrar as anotações que tanto se comprazia em fazer, beber o último gole de chá com mel e…

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Brasília, capital Potemkin – Fernando Dourado

Quando o jovem Mauro Carneiro chegou a Brasília, tudo pressagiou um mau começo. O avião da Vasp escapou como pôde das tesouras de vento da cabeceira e o piloto fez o mais brutal dos pousos como…

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A Baronesa de Knokke-Le-Zoute – Fernando Dourado

Mal chegou a Londres, Catherine ligou o telefone. O avião ainda deslizava na pista quando, ao deparar a tela iluminada, ela comprovou que acontecera o pior. Efetivamente, e por fatalidade, era bem possível…

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Vinhetas de Paris no outono – Fernando Dourado

A caminho de Paris, ainda adolescente, driblei a morte pela primeira vez. Isso porque, recebida a luz verde de meu pai para comprar a passagem que me traria à Cidade-Luz, aos quinze anos, algo aconteceu.

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A revista Será? como divisor de águas – Fernando Dourado

O mundo contemporâneo é cheio de estímulos. Que ninguém se iluda, já não somos donos da moldura em que se esvai o tempo nosso de cada dia. No mais das vezes, o caráter líquido da vida nos empurra de…

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Carta do engenheiro Couceiro à psicanalista Telma Rosas – Fernando Dourado

Talvez por nunca ter me dirigido a você por escrito (salvo nos cheques nominais de nossos começos), eis que me saiu esse ´doutora` tão anódino – um preciosismo que você saberá relevar, se é que atribuirá a tal…

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Sozinho no Cabo da Boa Esperança  – Fernando Dourado

Dia desses tirei da gaveta um velho caderno que comprei na Escandinávia e, percebendo que as folhas permaneciam virgens, decidi que o traria comigo à África do Sul, em viagem que se iniciou dias atrás em…

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Almanac de Catalunya – Fernando Dourado

No Peru, um policial que recebeu propina de um motociclista, engoliu a cédula quando percebeu que os agentes anticorrupção o vigiavam. Um deles lhe aplicou uma vigorosa chave no pescoço para que…

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Suzana, um amor proibido – Fernando Dourado

Semana passada, eu, Oki Sato, completei 76 anos e saí de casa à hora de sempre. Vestindo meu melhor terno de verão, de muito boa casimira inglesa, cortado sob medida por um alfaiate de Ginza para um…

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Viagem sentimental a Portugal – Fernando Dourado

Para ser sincero, acho que já estou bem. Se, semana passada, ainda me afligiam as farras recifenses – cidade que nos transforma em esponjas bípedes e sedentas -, a verdade é que cheguei a Portugal em busca de paz e, efetivamente, logo achei-a.

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Cabeça na lua entre Bucareste e Sofia – Fernando Dourado

Se você é uma dessas pessoas que têm um mínimo de aversão à incerteza, por certo encontrará dificuldade ao encarar algumas circunstâncias com que deparamos na vida. Dou um exemplo prosaico…

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Armênia e Georgia: ecos de uma expedição ao Cáucaso – Fernando Dourado

“Você não verá aqui em Tbilisi uma só família que não tenha sofrido por conta dos famigerados russos. Já não falo nem da tortura psicológica que significava viver na defensiva porque este era um estado…

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A natureza perversa do poder – Fernando Dourado

Quem leu “A noite de meu bem”, de Ruy Castro, deleitou-se com as histórias de amor e boa música que animavam as dezenas de boates de Copacabana na década de 1950.

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Tommy – Fernando Dourado

A caminho de visitá-la em casa com a intenção de lá pernoitar pela primeira vez, Félix se deteve longamente diante das barracas de flores que margeiam o muro do cemitério do Araçá e, sem pressa…

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Confidências de Dr. Percival à Rainha da Inglaterra – Fernando Dourado

Majestade, Meus respeitos. Pouco familiarizado com o protocolo real, pois já esqueci os rudimentos aprendidos no passado, achei disparatado me dirigir à Rainha das rainhas com um coloquial hello, como…

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