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Penso, logo duvido.

“É tetra, é tetra, é tetra…” – Fernando Dourado

No artigo passado, procedi a um longo resgate das reminiscências gravadas na memória dos anos de 1958, 1962, 1966, 1970, 1974, 1978 e, finalmente, 1982, quando sucumbimos a três gols pelos pés do italiano Paolo Rossi, o que levou a que o futebol elevado à arte cênica jamais voltasse a ser o mesmo.

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Fim de festa no estádio do Sarrià – Fernando Dourado

Nasci em 1958 e tinha três meses de vida quando arrebatamos a primeira Copa do Mundo. Bem entendido, não tenho nenhuma lembrança desse ano da graça, o que nunca me impediu de estufar o peito e de louvar a coincidência dos fatos.

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Euskadi – Fernando Dourado

Não sei se você, caro leitor, é afeito às miudezas da pequena crônica da vida. Se este não for o caso, recomendo que aqui mesmo interrompa a leitura e vá dedicar os minutos que gastaria com este escriba, percorrendo textos sisudos sobre a relação entre a alta dos combustíveis e a falta de legitimidade do governo.

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O paciente de Dr. Simões – Fernando Dourado

Vivi tempos em que chegava à Mercearia São Pedro ainda no meio da tarde. Pedia a França – garçom comandante da casa – uma cerveja Original, lia os jornais que trazia e, lá pelas cinco horas, subia ao consultório do Dr. Simões para uma sessão de terapia…

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As casas de minha tia – Fernando Dourado

Essas reflexões são dedicadas a tio Ivan, um intrépido Quixote a seu modo. Se ao cavaleiro errante da Mancha, coube fabular um amor imaginário por Dulcinea del Toboso, a ele tocou viver um amor de verdade com minha tia Dulce. 

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Shemá Israel – Fernando Dourado

“Será que eu poderia viver em outro país? Provavelmente sim, mesmo porque os judeus estão acostumados a morar na casa alheia, se é que podemos dizer assim. Trata-se de uma capacidade de adaptação incomum na maioria dos povos ocidentais…

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As derradeiras reflexões de Dionísio Wiener – Fernando Dourado

Quando percebeu que urgia tomar uma providência, e tão logo começou a fazer a ronda de especialistas e hospitais, expondo-se de mau grado à sisudez e à impontualidade dos médicos, Dionísio se deu conta de que todos os prazos estavam…

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Caicó, Seridó – Fernando Dourado

Durante muitos anos, pareceu-me fora de propósito e de proporção que uma simples viagem de carro com meu pai pudesse render tantas reminiscências ao longo de uma vida fértil em tantas outras viagens como foi a minha.

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Brava gente del Mezzogiorno – Fernando Dourado

Se você já foi a Nápoles, e de lá se animou a pegar um trem, ou mesmo um carro, e se desceu ao longo da costa em direção ao bico da bota da Península, lá onde fica Reggio Calabria, diante da Sicília, algumas coisas lhe terão chamado a atenção no lindo trajeto.

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No final, tudo é medo – Fernando Dourado

Até poucos anos atrás, ao despertar, eu elevava os pés o mais alto que podia e, de um salto só, colocava-os no chão com firmeza tal que eles seguravam este corpanzil sem lugar a sustos.

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Prospect Park – Fernando Dourado

Tantos anos passados, acredito que jamais voltaria a pensar em Malka Geld, não tivesse o acaso feito com que fosse fuçar os arquivos à procura de uma resenha do escritor Laub – hoje rabino, residente em Safed, nos contrafortes da Alta Galileia…

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Missão em Neudorf, Alsácia – Fernando Dourado

Ir até Estrasburgo e visitar o que ele chamava de seu retiro, nem tinha me passado pela cabeça seriamente. Foi minha mulher que se saiu com a ideia durante uma viagem a Paris, cidade que nos remeterá sempre a ele.

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Compêndio de clichês paulistanos comentados – Fernando Dourado

Pedir desculpas pela objetividade, e muitas vezes pela contundência, é o que manda a boa norma. Mas a marca identitária paulistana aflora quando o sujeito alega que a rudeza de modos advém do fato de que trabalhou no mercado financeiro, onde tudo é “pão pão, queijo queijo”.

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O espírito de Paris – Fernando Dourado

Muitas vezes deploramos a impossibilidade de reviver sensações de encantamento, e muito menos de não mais poder reatar com o frescor das emoções então avivadas, quando vielas ainda eram fadadas a virar avenidas.

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Anotações de uma viagem à Lapônia – Fernando Dourado

Hoje tive oportunidade de observá-lo com mais vagar. Há três anos, ainda era um homem rijo e atento. Se me visse então a dissecá-lo com esse interesse quase científico, é certo que teria se dado conta e reagido de imediato. Havia muitas formas de fazê-lo.

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Felipe d´Avila e a força-tarefa – Fernando Dourado

Dois meses atrás, cheguei a uma casa simpática e acolhedora, aqui em São Paulo. Da rua, quase não vem barulho, salvo pelos estampidos deflagrados por um ou outro motoqueiro apressado.

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Minha carta para Papai Noel – Fernando Dourado

Chega essa época do ano e vejo um monte de marmanjo fazendo graça, publicando cartinhas em tom debiloide nas redes sociais. Uns pedem de presente a reforma da Previdência, outros a Mega Sena da virada. As pessoas então comentam o quanto é fofo um sujeito de 60 anos ou mais…

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Dias buliçosos – Fernando Dourado

Tempo desses intitulei de Dias Luminosos, as reminiscências publicadas aqui, alusivas ao período compreendido entre dezembro de 1975 e abril do ano seguinte, quando chegou a primavera à Baviera. Na sequência, em Dias ruidosos, alonguei-me em outras tantas sobre o intervalo que principiou com minha chegada à cidade de Radolfzell…

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Dias ruidosos – Fernando Dourado

Quando cheguei a Radolfzell, era abril e a primavera tinha me antecedido em alguns dias. O Bodensee – o lago de Constança – começava a se preparar para a grande festa do verão, muito embora ainda estivéssemos a mais de 60 dias de calendário do início oficial.

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Dias luminosos – Fernando Dourado

Nem bem voltei da Europa em 1973, já estava determinado a regressar logo que pudesse ao Velho Mundo. Para isso, é claro, precisava cumprir mais uma ou duas etapas da trajetória escolar. Eu adorara a França e a Inglaterra.

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Fragmentos de cinco vidas – Fernando Dourado

Hoje nossa rigorosa mestra propôs um exercício que, para ser sincero, a todos nós soou tão pueril que resolvi, de minha parte, levá-lo a sério. Por parecer excessivamente ginasiano, deduzi que devia me esforçar para acessar uma sutileza qualquer que me escapava.

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O dia em que perdi o Nobel de Literatura – Fernando Dourado

Fazia já pelo menos uma semana que eu não dormia direito. Quando escurecia lá fora, escurecia aqui dentro, e eu sentia uma angústia que me subia pelo pescoço e, com ela, vinha uma vontade incontida de chorar.

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Pernambuco para proficientes – Fernando Dourado

Francamente, se você chegou até aqui, é pernambucano, e ainda não endereçou a este articulista os apupos merecidos, é porque há de ter discernido algum mérito nas crônicas anteriores aqui publicadas…

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Pernambuco para experientes – Fernando Dourado

Se você se habilitou a ler esse texto de bate-pronto, ignorando que ele foi precedido aqui mesmo em “Será?” por um roteiro de aquecimento denominado “Pernambuco para principiantes”, assumo que esteja minimamente familiarizado com as vicissitudes mais gritantes do “Leão do Norte”.

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Pernambuco para principiantes – Fernando Dourado

Pela janela, vejo o mar. Lá longe, onde a vista não alcançaria, ao cabo de uma linha reta imaginária que começa na varanda e que recorta a água por pouco mais de 5000 km, fica Luanda, a outrora bucólica capital angolana, hoje Meca da cleptocracia.

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“Cherchez la femme” – Fernando Dourado

Quem se lembra do que disse o célebre informante “Deep Throat” aos jornalistas que investigavam o caso Watergate, na versão do filme “Todos os homens do Presidente?” “Follow the money”, ou seja, que seguissem as pegadas do dinheiro.

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Aconteceu em Nob Hill – Fernando Dourado

Naqueles dias, quando os anos 1980 estavam a poucos meses do fim, San Francisco ainda era cheia de casarões vitorianos de sacada florida onde se alugavam cômodos amplos para temporadas curtas.

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Dasvidania, Rossiya – Fernando Dourado

Tendo ido dormir tarde – ou demasiado cedo, a depender da ótica -, acordei com enorme dor de cabeça, uma sede bíblica e uma ansiedade enorme por conta dos três ou quatro e-mails inconvenientes que tinha mandado ao voltar do jantar…

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Um outono em Moscou – Fernando Dourado

Por precaução, comprei mais um analgésico letal caso aquele dente volte estranhamente a incomodar. Por que digo estranhamente? Ora, porque não há qualquer vestígio de inchaço ou de inflamação na área.

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From Russia with love – Fernando Dourado

Cheguei a Frankfurt depois de um breve cochilo e um almoço decente. Fui direto para o terminal B, de onde saem os voos para a Europa do Leste e, lá chegando, vi diminuírem as chances de encontrar a tal roupa de frio de que precisava.

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