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Penso, logo duvido.

Tragédia do imediatismo – Editorial

Editorial

Incêndio do Museu Nacional, agosto de 2018.

Nem o passado nem o futuro interessam aos brasileiros. Concentrados na sobrevivência e na fruição do presente, não ligamos para o passado e não olhamos para o futuro. Na verdade, estamos de costas para o futuro. Esta característica dominante do ethos brasileiro explica, ao mesmo tempo, as cinzas do Museu Nacional e o desastre da qualidade da educaçãono país. Na mesma semana do incêndio do Museu, o MEC divulgou os dados lamentáveis da qualidade da educação no Brasil, o atraso na formação e no conhecimento dos jovens brasileiros, que compromete o futuro do país. O imediatismo quase patológico dos brasileiros manifesta-se nas decisões políticas, com a insistente preferência por ações assistencialistas, que escondem e adiam as soluções estruturais, e se expressa nas escolhas gerenciais, que costumam priorizar as expectativas corporativistas, em detrimento do interesse público. De alguma forma, somos todos culpados, porque, ao longo dos anos, apoiamos ou aceitamos os governantes imprudentes, e convivemos com os dirigentes irresponsáveis das instituições de ensino e de preservação do patrimônio histórico e cultural. Nada disso isenta, contudo, os verdadeiros responsáveis diretos pela destruição do Museu, os governantes e os reitores e diretores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os que tomaram as decisões de alocação de recursos, que atrasaram obras de recuperação, que descuidaram das medidas de prevenção contra incêndio. Os atuais ministros da cultura e da educação deveriam entregar seus cargos e vir a público pedir desculpas aos brasileiros. Os atuais reitores e dirigentes da UFRJ deveriam também pedir demissão, reconhecendo sua incompetência e irresponsabilidade, seu descaso  com o nosso patrimônio histórico e cultural. No entanto, como este desastre foi gestado ao longo de vários anos de leniência e irresponsabilidade, os ministros dos últimos governos e os reitores anteriores da UFRJ, não podendo renunciar, deveriam, ao menos, manifestar de público sua cota de culpa nesta tragédia nacional.

 

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